Cocaína encaminhada da Venezuela para África por um Boeing de carga

Cocaína encaminhada da Venezuela para África por um Boeing de carga

 

Lusa/AO Online   Internacional   17 de Nov de 2009, 05:30

Os traficantes sul-americanos passaram um novo limiar ao encaminhar cocaína para o Mali, a partir da Venezuela, a bordo de um avião cargueiro Boeing fretado para a ocasião, revelou segunda-feira a Agência da ONU contra a droga.

A África Ocidental, importante ponto de trânsito para os mercados europeus, está também prestes a tornar-se uma zona de produção, como o atesta a descoberta recente na Guiné-Conacri de instalações de fabrico de heroína, cocaína e ecstazy.

"Um Boeing cargueiro, que partiu da Venezuela, aterrou numa pista improvisada a 15 quilómetros de Gao (nordeste) antes de descarregar a cocaína e outros produtos ilícitos", disse, em Dacar, o responsável regional da Agência da ONU contra a droga e o crime (ONUDC) Alexandre Schmidt.

"De seguida procurou descolar e despenhou-se a 05 de Novembro", acrescentou durante uma conferência de imprensa. A quantidade de droga não é conhecida mas "um Boeing pode transportar 10 toneladas de cocaína", salientou.

A droga não foi encontrada. A agência internacional Interpol foi alertada e está em curso uma investigação", segundo ele.

A carcaça do avião "foi depois incendiada pelos traficantes para fazerem desaparecer os vestígios mas os números de referência foram localizados e está em curso uma investigação sobre o proprietário".

"Nenhum cadáver foi encontrado no local", na sequência do acidente, salientou o responsável.

"Não se sabe há quanto tempo isto dura, não podemos dizer se é o primeiro ou o primeiro voo deste tipo", precisou. "Mas isso pode ser considerado como um novo código operacional e é inquietante", segundo Schmidt.

Segundo ele, "não há cobertura de radar nesta zona", situada a um milhar de quilómetros da capital Bamako, na região do Sara, propícia aos tráficos de todo o género (droga, armas, cigarros, migrantes) e onde circulam rebeldes tuaregues e combatentes islamitas.

As autoridades do Mali ainda não reagiram oficialmente mas vários responsáveis que falaram a coberto do anonimato não esconderam a irritação.

"Falar deste caso agora pode contribuir para fazer desaparecer provas, testemunhas, pessoas envolvidas", disse uma outra fonte maliana.

Todavia, a África Ocidental, que reúne alguns dos países mais pobres do mundo, é apenas uma zona de trânsito.

A descoberta pelas forças de segurança, em Julho na Guiné-Conacri, de importantes quantidades de produtos químicos em vários locais de Conacri prova que tudo está instalado para fabricar heroína a partir do ópio, cocaína pura e ecstasy.

O ópio terá sido encaminhado por " grupos nigerianos no Paquistão", disse o representante regional da Agência das Nações Unidas.

Nestes últimos anos, o tráfico da droga que transita pela África Ocidental, essencialmente cocaína, estava nas mãos dos cartéis colombianos que passam pela Venezuela.

"Mas hoje há cada vez mais grupos de nigerianos que partem para o Brasil, para São Paulo, comprar droga para a encaminhar para a Europa via diáspora", precisou Schmidt. Estes novos actores estarão, segundo ele, "a concorrer" com os traficantes sul-americanos.

"Podem acontecer episódios de violência entre cartéis colombianos e nigerianos", preveniu o representante regional da Agência da ONU contra a droga e o crime.


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