Eutanásia

Cerca de 50 por cento dos idosos em Portugal admite legalização da morte assistida, revela inquérito nacional


 

Lusa / AO online   Nacional   13 de Out de 2007, 16:58

Uma grande percentagem das pessoas idosas institucionalizadas, mesmo não sofrendo de doenças crónicas ou terminais, pensa frequentemente na morte e cerca de 50 por cento admite a legalização da eutanásia.
    Os dados de um estudo sobre este tema, a que a Lusa teve hoje acesso, foram reunidos ao longo de um ano no âmbito de um projecto de investigação desenvolvido pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

    As conclusões apontam para a existência de uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido, mas falta ainda perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte.

    O objectivo do estudo era determinar qual a opinião da população idosa portuguesa, com mais de 65 anos e sem doença terminal, sobre a prática da eutanásia.

    A população seleccionada foi de 815 idosos, institucionalizados em lares e residências de terceira idade em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

    Hoje, em declarações à Lusa, Rui Nunes, director do serviço de Bioética da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética - responsável pela coordenação do estudo - explicou que este projecto surgiu na sequência de um outro que envolveu médicos oncologistas.

    Nesse estudo, concluiu-se então que cerca de 40 por cento daqueles clínicos estavam disponíveis para a prática da morte assistida.

    "O nosso objectivo é contribuir para o conhecimento da realidade portuguesa no que respeita à prática da eutanásia", sublinhou Rui Nunes.

    O responsável sustentou que se pretendeu efectuar uma análise sociológica e a consequente avaliação ética, sobre a plausibilidade da população portuguesa estar hoje mais predisposta à prática da eutanásia, bem como à reflexão sobre as estratégias mais adequadas para prevenir a sua ocorrência.

    Sobre o estudo agora concluído, Rui Nunes esclareceu que foi escolhida uma população com mais de 65 anos, por ser "a faixa etária que, por se encontrar na trajectória final da vida, está mais predisposta a pensar na morte".

    Os dados preliminares do inquérito apontam para a existência de uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido.

    “Falta ainda perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte", salientou.

    No caso desta segunda hipótese se confirmar, Rui Nunes defende a necessidade de se "repensar a sociedade para que estes pedidos ocorram no menor número possível".

    "Esta estratégia - que deverá incluir redes de cuidados paliativos e de cuidados continuados eficazes - está ainda muito longe de ser implementada em Portugal", lamentou.

    Os resultados deste projecto serão divulgados terça-feira, em conferência de imprensa, na Casa do Médico - Ordem dos Médicos, no Porto.

    O tema da eutanásia será também debatido no Congresso Nacional de Bioética, que se realiza sexta-feira, na aula magna da Faculdade de Medicina do Porto.

    Dado o impacto legal da temática, estará presente na sessão de abertura do encontro, o secretário de estado e adjunto da Justiça, Conde Rodrigues.

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