Sandra Maximiano, que falou no Porto, à margem da Cimeira Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos, disse que havia “centenas de milhares de pessoas ainda afetadas na rede móvel”, num número que deve rondar as 200 mil.
Mas a situação tem vindo a melhorar, destacou, indicando que “à medida que a eletricidade tem sido reposta, as comunicações são obviamente repostas, quando estas foram afetadas por falha de energia exclusivamente”.
No entanto, destacou, houve muitas infraestruturas de telecomunicações afetadas, nomeadamente “nos traçados aéreos, sobretudo com a queda de postes e outras antenas, outras infraestruturas nos ‘rooftops’ e também nas próprias estruturas de antenas que foram afetadas”.
A presidente da Anacom referiu que “há muitos operacionais no terreno”, sendo que o próprio regulador “também tem operacionais a ajudar”.
“Acho que a situação tem vindo a progredir positivamente e isso não é tão rápido quanto se calhar a maior parte das pessoas esperaria, ou todos nós esperaríamos, mas é como disse há determinada infraestrutura que não se reconstrói imediatamente”, explicou.
“Não sabemos com exatidão quanto tempo vai demorar, mas nós já temos mais de 50% dos ‘sites’ que tinham sido afetados recuperados, portanto, a perspetiva é que na próxima semana” a situação esteja mais regularizada.
Para o futuro, a presidente da Anacom deixou um alerta. “Acho que temos que pensar todos numa resiliência das telecomunicações, olhar para estes eventos meteorológicos e pensar, ver que infraestruturas é que foram afetadas, como é que elas foram afetadas, o que é que se pode melhorar para minimizar”.
Para Sandra Maximiano é preciso “repensar esse tipo de infraestrutura”, apontando para a criação de uma “estrutura subterrânea”, ou seja, colocar esses traçados aéreos no solo.
Questionada sobre se os clientes que ficaram com o serviço afetado poderão, no futuro, ter direito a uma compensação, a presidente da Anacom disse que será uma matéria que estará “obviamente, em análise, porque geralmente são compensados quando existe alguma interrupção do serviço”.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Mau tempo
Centenas de milhares de pessoas continuam com problemas na rede móvel
A presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) disse que continuam centenas de milhares de pessoas com problemas na rede móvel, devido ao mau tempo, apontando, no entanto, que mais de 50% dos locais afetados já estavam recuperados
Autor: Lusa/AO Online
