Saúde / Alimentação

Cebola para grávidas e jovens vendida por empresa que quer novos mercados

Cebola para grávidas e jovens vendida por empresa que quer novos mercados

 

Lusa / Ao online   Economia   13 de Out de 2007, 11:35

Cebola rica em ácido fólico, para grávidas, ou de sabor adocicado para os jovens são apostas da empresa líder de mercado no sector em Portugal, numa estratégia de crescimento que passa pela oferta diferenciada e a exportação.
    Vítor Emanuel, responsável do marketing da Rute Rosário/Mediciu, empresa que se dedica à recepção e embalamento de cebola com sede em Alcanena, disse à agência Lusa que a estratégia de crescimento passa pelo início da exportação e pela construção de novas instalações, no Entroncamento, que dêem resposta às novas exigências do mercado.

    A empresa, criada há cinco anos com um capital social de 500 euros e uma facturação esperada para este ano de 3,5 milhões de euros, quer aumentar o capital social para 1,5 milhões de euros, e prepara um investimento da ordem dos 2 a 2,5 milhões de euros numa unidade que permita iniciar a comercialização de cebola, alho, batata e cenoura prontos a cozinhar, visando o mercado da restauração, disse.

    Neste momento à procura de investidores e com o processo de licenciamento da nova unidade em curso, a empresa está já a produzir diversas variedades de cebola, algumas destinadas a nichos de mercado como as grávidas (rica em ácido fólico), os idosos (combate à osteoporose) os jovens e as crianças (cebola doce) e prepara a comercialização de cebola biológica.

    A estratégia de crescimento surge com o lançamento da marca Mediciu, que visa realçar "as propriedades medicinais da cebola", sublinhou.

    Segundo Vítor Emanuel, a produção em quantidade é o segredo para que a empresa consiga colocar no mercado este tipo de produtos a preço idêntico ao da cebola normal.

    Além de querer duplicar a área de produção contratada, elevando dos actuais 450 hectares para 700 hectares em 2008, ano em que quer começar a exportar, a Rute Rosário vai começar a produzir cebola biológica numa área de oito a 10 hectares, sendo objectivo chegar aos 200 hectares, afirmou.

    Vítor Emanuel lamenta que 95 por cento da área contratada e dos cerca de 110 agricultores que escoam a sua cebola através da Rute Rosário sejam espanhóis.

    No esforço para elevar a produção portuguesa, a empresa assinou, em Julho, um protocolo com um banco que prevê o financiamento até 100 por cento de projectos que visem a produção de cebola, em área mínimas de quatro hectares, com a garantia de escoamento de todo o produto.

    "O nosso objectivo é atrair jovens licenciados que se queiram lançar como produtores. O banco financia até 3.600 euros por hectare e nós garantimos o escoamento total, num contrato por cinco anos em que, num ano, pagamos o empréstimo concedido pelo banco", disse, sublinhando que existe uma outra instituição financeira espanhola a estudar este protocolo para aplicação no outro lado da fronteira.

    Lamentando que os agricultores portugueses não tenham respondido ao desafio lançado há cinco anos pela empresa da mesma forma que fizeram os espanhóis, Vítor Emanuel assegura que se estes "não tivessem acreditado" a empresa hoje não existiria.

    Além da produção em Espanha e residualmente em Portugal, a Rute Rosário está a começar a produzir na Argentina, de onde espera começar a exportar a partir de Janeiro de 2008 para os mercados europeus e americanos, disse.

    Por outro lado, está em conversações com uma cooperativa agrícola de Benguela para testar algumas variedade de cebola em Angola. Neste caso, a produção destinar-se-á exclusivamente ao mercado angolano, afirmou.

    A empresa tem, em processo de licenciamento na câmara municipal do Entroncamento, o projecto de construção de uma fábrica de descasque, embalamento e armazéns para conservação com uma área de 12.000 metros quadrados que quer inaugurar dentro de um ano.

    O edifício, projectado com uma altura de 12 metros, será dotado, no telhado, de uma central foto-voltaica que produzirá energia para a fábrica e para vender à Rede Eléctrica Nacional, adiantou.

    Segundo Vítor Emanuel, há um banco espanhol interessado em financiar este investimento, o qual, adiantou, estará integralmente pago em 13 anos.

    Com este projecto no Entroncamento, para onde mudará a sede, a empresa conta criar mais 40 postos de trabalho, disse.

    A empresa vê ainda uma oportunidade de negócio do "lixo" gerado diariamente (10 a 12 toneladas de cascas e cebolas rejeitadas na calibração), tanto para incorporação em rações - o Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, em Alcanena, está a estudar o efeito da cebola nos animais e também no leite que produzem -, como para adubos, adiantou.

    Este ano, a Rute Rosário comercializará mais de 30 milhões de quilos de cebola, estando, a um mês do fim da campanha, a armazenar em Alcanena 1,3 milhões de quilos - "em Espanha temos outro armazém onde guardamos quatro vezes mais" - para a comercialização de Janeiro a Maio, disse.
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