CDS lamenta que os Açores não consigam captar recursos humanos qualificados

A deputada do CDS no parlamento dos Açores Ana Espínola lamentou hoje que o Governo Regional, do PS, não tenha conseguido transformar a região num "polo catalisador de recursos humanos qualificados".


Numa declaração política feita no plenário da Assembleia Regional, o último antes das eleições legislativas de 16 de outubro, a deputada centrista acusou o executivo de "incapacidade" para ultrapassar várias "limitações" que afetam os açorianos, mesmo passados 40 anos de autonomia.

"É paradoxal que, apesar de todo o desenvolvimento verificado, a região não consiga ser um polo catalisador de recursos humanos qualificados, como era desejável, e as nossas gentes sintam, cada vez mais, a necessidade de migrar para outros destinos em busca de oportunidades de trabalho e melhores condições de vida", referiu.

No entender de Ana Espínola, "é imperioso lutar contra esta desertificação humana, que novamente se verifica" em algumas ilhas, como é o caso de São Jorge, pela qual foi eleita e que por causa de perda de população também vai perder representatividade política na próxima legislatura.

Num breve balanço ao trabalho efetuado pelo executivo regional, a deputada centrista concluiu que a governação de Vasco Cordeiro "foi turbulenta".

"O PS viu-se embrulhado em várias crises na agricultura, nas pescas, teve problemas nos transportes, na saúde e tentou disfarçar com pensos rápidos, mas sem sucesso, os péssimos resultados do sistema de ensino", lamentou.

Ana Espínola reconheceu, por outro lado, que a taxa de desemprego diminuiu nos Açores, mas considerou que isso foi conseguido não à custa de "emprego efetivo, duradouro e sustentável", mas sim da entrada de "milhares de açorianos" em programas ocupacionais.

A deputada centrista, que não irá recandidatar-se nas próximas eleições, emocionou-se no final da sua intervenção, depois de ouvir os elogios e os aplausos dos restantes deputados em relação ao seu desempenho parlamentar.

Apesar disso, a secretária regional adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Isabel Rodrigues, não deixou passar em claro as críticas de Ana Espínola, afirmando que o Governo não partilha da sua perspetiva sobre o desempenho do executivo.

"Este Governo tem a consciência de tudo ter feito, de ter usado todos os seus recursos e competências para responder aos enormes desafios que enfrentou ao longo destes quatro anos", insistiu Isabel Rodrigues.

António Marinho, deputado do PSD, concordou com as preocupações e a visão crítica do CDS sobre o desempenho do executivo, apontando que ao fim de 20 anos de governação socialista os Açores continuam a registar "a maior taxa de abandono escolar precoce do país" e a "mais alta taxa de incidência do Rendimento Social de Inserção".

José San-Bento, da bancada socialista, ressalvou, no entanto, que este foi um governo "reformista", "dialogante" e "anti-austeridade", recordando que, quando o Governo da República do PSD/CDS cortava nos vencimentos ou nas pensões, o executivo açoriano compensava esses cortes.

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)