Deste total, cerca de 3.000 unidades estão na ilha de São Miguel, sendo que há quatro anos existiam apenas cerca de 400 veículos elétricos nos Açores.
O coordenador do EV4EU, Hugo Morais, que intervinha em Ponta Delgada, no âmbito da apresentação das conclusões do projeto, considerou que a iniciativa “veio provar que a mobilidade elétrica é possível” e contribui para uma “taxa crescente de energias renováveis”.
O projeto “Electric Vehicles Management for carbonneutrality in Europe” (EV4EU) é financiado a 100% pelo programa Horizonte Europa, com um orçamento de 8,9 milhões de euros, tendo decorrido durante quatro anos.
No âmbito deste projeto, 16 parceiros de Portugal, Eslovénia, Dinamarca e Grécia uniram esforços, contando com o apoio de outras seis instituições internacionais, de modo a contribuírem, por via da mobilidade elétrica, para os objetivos da neutralidade carbónica definidos para 2050.
Os objetivos deste projeto são, essencialmente, testar a tecnologia Vehicle-to-Everything (V2X), visando criar condições mais atrativas para o utilizador do veículo elétrico.
Este especialista, professor do Instituto Superior Técnico e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), considerou que a compra de um veículo elétrico constitui uma “mudança inevitável”, mas a mobilidade elétrica representa “desafios em termos de interoperacionalidade dos sistemas”.
Hugo Morais defendeu ainda a necessidade de desenvolver estratégias de “democratização no acesso à mobilidade elétrica”.
Para a secretária regional do turismo mobilidade e infraestruturas, Berta Cabral, os Açores assumem-se como um “laboratório vivo para testar tecnologia e conhecimento”, destacando que nas transições energética e digital “a geografia não faz qualquer diferença”, apesar das “limitações de redes isoladas” na região, constituída por ilhas.
Berta Cabral considerou que a integração dos Açores neste consórcio internacional “demonstra bem a capacidade técnica existente na região”, tendo defendido a necessidade de adotar “novos modelos de gestão de energia”.
De acordo com Berta Cabral, a mobilidade elétrica “representa uma oportunidade única para acelerar a descarbonização, aumentar a eficiência do sistema elétrico e reforçar a integração das energias renováveis”.
A titular da pasta das Infraestruturas destacou que os Açores têm vindo a assumir-se como um “território de referência nas energias renováveis”, exemplificando com a energia geotérmica, reduzindo-se assim as emissões de gases.
“Este projeto veio acrescentar valor a este percurso”, considerou, para sublinhar que os veículos elétricos “podem deixar de serem consumidores de energia e passarem a desempenhar um papel ativo no próprio sistema elétrico”.
No caso específico dos testes que decorreram na ilha de São Miguel, a energia das baterias dos veículos elétricos foi integrada em edifícios nos períodos em que a eletricidade é mais cara, permitindo perceber os impactes desta tecnologia na redução da fatura energética.
