Presidenciais

Candidatos condenam operação na Venezuela e mostram apreensão com Gronelândia

Os candidatos presidenciais condenaram a operação dos Estados Unidos na Venezuela, mostrando-se apreensivos relativamente uma eventual intervenção norte-americana na Gronelândia



Transmitido pela RTP, o único debate televisivo com os 11 candidatos às eleições presidenciais teve como primeiro tema a Venezuela, com todos, à exceção de André Ventura, a condenarem a violação do direito internacional e João Cotrim Figueiredo a dizer temer que “os mesmos argumentos usados para a Gronelândia sejam usados para os Açores”, uma ideia também expressa por Jorge Pinto.

“Trata-se de uma intervenção que é feita claramente à margem das regras do direito internacional”, resumiu Luís Marques Mendes, com o candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSD e CDS-PP) a referir que a operação norte-americana na Venezuela “pode legitimar outras situações”, como a intervenção da Rússia na Ucrânia, e abrir um precedente.

António Filipe vincou que “não compete a um estado interferir num outro para mudar o seu regime”, alegando que se está perante “um perigo para as relações internacionais" e uma incerteza sobre o "que vem a seguir”.

“As ameaças feitas em relação à Colômbia e à Gronelândia devem alarmar a comunidade internacional”, alertou o candidato apoiado pelo PCP, já depois de António José Seguro ter defendido que a Europa deveria pedir uma reunião da NATO a propósito daquele território dinamarquês.

Para Seguro, que tem o apoio do PS, “é importante prevenir, mais do que reagir” no caso do território autónomo do Reino da Dinamarca, que é membro da NATO.

“Se Trump decide anexar Gronelândia, quem vai acionar o artigo 5.º da NATO?”, questionou Catarina Martins, com a antiga líder do Bloco de Esquerda a defender que Portugal tem a responsabilidade de perceber que “a segurança da Europa não pode estar nas mãos dos Estados Unidos”.

A mesma ideia foi expressa por Cotrim Figueiredo, que argumentou que os europeus ou continuam a ser “lacaios dos Estados Unidos” ou assumem autonomia estratégica.

Já depois de o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal ter manifestado apreensão quanto à situação dos Açores, também Jorge Pinto lhe seguiu o exemplo.

“Ontem, foi a Venezuela. O que será amanhã? A Gronelândia está na lista e quem nos diz que não vão ser os Açores?”, questionou o candidato apoiado pelo Livre.

Se Henrique Gouveia e Melo salientou, em resposta a uma questão sobre a Gronelândia, que “o sistema internacional está muito quente”, para se dizer “bem preparado” para ser Presidente da República, Manuel João Vieira notou “uma mudança completa do exercício do poder”.

“Não gosto que os americanos invadam parte da Europa, porque o Hitler começou assim”, lembrou o músico, acrescentando que é preciso “levar muito a sério o que se está a passar”.

Já André Pestana considerou que os Estados Unidos “querem mudar o paradigma” internacional, com o lucro a justificar “tudo”, enquanto Humberto Correia definiu “a América” como “um perigo”. “Primeiro, semeia o fogo e depois vende a água”, completou.

Apenas André Ventura se escusou a condenar a operação militar norte-americana na Venezuela, advogando que “o direito internacional existe para proteger povos, para proteger pessoas”.

“Estou-me nas tintas se é o Trump, se é o Presidente francês, eu quero é que os ditadores acabem na cadeira”, pontuou.

Questionado sobre a Gronelândia, o também líder do Chega considerou que a intervenção na Venezuela “nada tem que ver com disparates sobre anexações qualquer” e que a Europa “tem de perceber que o que aconteceu depois da II Guerra”, ou seja “ficar à sombra dos Estados Unidos, foi um erro.

Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.

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