Candidatos ao ensino superior preferem ficar perto de casa


 

Lusa/AO   Nacional   29 de Set de 2008, 08:51

Os candidatos ao ensino superior tendem a preferir ficar colocados em instituições perto da casa familiar, o que se explica por razões socio-económicas e contribui para o ordenamento do território, segundo especialistas contactados pela Lusa.
De acordo com os dados da mobilidade entre distritos referentes à 1ª fase do concurso nacional de acesso de 2006 e de 2007 - que relacionam o distrito de origem dos candidatos com o distrito de preferência para a primeira opção da sua candidatura -, disponibilizados no sítio da Direcção-Geral do Ensino Superior, os estudantes tendem a escolher uma instituição de ensino superior mais perto da casa familiar, preferencialmente uma que se localize no seu distrito de origem.

    Por exemplo, dos 234 candidatos que escolheram Portalegre em primeira opção no ano passado, mais de metade (128) eram originários deste distrito e os restantes candidatos de todo o país; assim como 178 dos 295 candidatos a Beja e 450 dos 797 candidatos a Viseu eram originários dos distritos que colocaram em primeira opção.

    Por outro lado, quando a opção não recai sobre o seu distrito de origem, o candidato recorre preferencialmente a distritos mais próximos.

    Dos 3.802 candidatos que optaram primeiro por Braga no ano passado, 2.571 são deste distrito, seguindo-se candidatos do Porto (399), Viana do Castelo (287) e Vila Real (103), ocupando os outros distritos do país valores mais residuais.

    Apesar desta atracção pela capital de distrito mais próxima, Lisboa e Porto continuam a aliciar jovens de todo o país.

    O Porto atrai tendencialmente mais alunos do Norte e Centro e Lisboa mais do Centro e Sul.

    Em termos globais de preferência, em 2006 e em 2007 o distrito mais escolhido para primeira opção foi Lisboa (11.809 em 2006 e 15.096 alunos em 2007), o segundo foi o Porto (8.511 e 11.636) e o terceiro Coimbra (4.180 e 5.045).

    Em ambos os anos, Braga (2.379 em 2006 e 3.802 em 2007) aparece em quarto lugar nas preferências para primeira opção dos alunos e Aveiro (2326 em 2006 e 2.173 em 2007) em quinto.

    Coimbra, a primeira universidade portuguesa e que há cerca de vinte anos era um pólo universitário que atraia estudantes de todo o país, destaca-se agora por ser atractiva sobretudo para alunos com origem no centro do país, como Aveiro, Leiria, Guarda, Viseu, Castelo Branco e Santarém.

    As instituições de Portalegre (234 candidatos), Beja (295), Guarda (368) e Bragança (471) mostram-se as menos escolhidas como primeira opção pelos alunos.

    De ressalvar que o distrito de primeira opção dos alunos na sua ficha de inscrição não corresponde necessariamente ao distrito onde foram colocados.

    Ivo Domingues, sociólogo da Universidade do Minho, explica os dados com o facto de as universidades exercerem “uma força centrípeta nas zonas económicas onde se localizam", de forma que a primeira razão para este fenómeno "tem a ver com a capacidade económica das famílias".

    "Quando as famílias e os candidatos ao ensino superior analisam as opções a tomar no que toca à hierarquização das preferências, têm em conta, em primeiro lugar, critérios económicos pela ideia de que se ficar numa universidade mais próxima os custos são menores porque continuam a viver em casa dos pais ou de algum familiar, as viagens são mais baratas porque a distancia é menor", explicou.

    Este sociólogo destaca ainda que na sociedade portuguesa também a família é uma unidade centrípeta.

    "Há na cultura portuguesa a tendência dos pais manterem os jovens junto a si até saírem de casa para constituírem família, porque há uma gregariedade da unidade familiar", destacou.

    Ivo Domingues afirmou que as universidades privadas que abriram em muitas cidades do interior vieram colocar a formação junto à procura porque perceberam a importância destes factores económicos e culturais.

    Carlos Chaves, presidente do grupo ambientalista GEOTA e especialista em ambiente e ordenamento do território, considera que o facto de estudantes preferirem ficar mais perto de casa pode ajudar a cumprir as premissas do programa nacional de ordenamento do território.

    Este especialista considera que ter o ensino superior mais perto de casa permite ainda vantagens em termos de ambiente e de mobilidade, reequilibrando o sistema urbano.

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