Privatização EDP

Candidato chinês diz confiar na “isenção” e “transparência” do Governo português


 

Lusa/AO Online   Economia   14 de Dez de 2011, 07:18

O líder da empresa chinesa candidata à privatização da EDP manifestou-se hoje "muito confiante" no sucesso da sua proposta e na "isenção" e "transparência" do Governo português.

"Confiamos no Governo português e acreditamos que a avaliação será isenta e transparente", disse à agência Lusa em Pequim o presidente da China Three Gorges Corporation (CTG), Cao Guangjing.

O empresário afirmou que a CTG conta com "forte apoio" do governo chinês", mas realçou que a avaliação das propostas deve ser "puramente comercial e não influenciada por atitudes políticas".

Pelo que foi divulgado na imprensa de Lisboa, entre os quatros candidatos à compra dos 21,35 por cento do capital da EDP ainda na posse do Estado português, aquela empresa estatal chinesa foi a que ofereceu o preço mais alto (cerca de 2,7 mil milhões de euros), à frente da alemã E.ON e de duas empresas brasileiras (Eletrobraz e Ceming).

O prazo para a entrega das propostas terminou na passada sexta-feira e segundo fontes ligadas ao processo, o resultado deverá ser anunciado no próximo dia 22.

"Estou muito confiante. Penso que oferecemos o melhor preço, temos um plano industrial muito bom e também um programa de refinanciamento para o futuro desenvolvimento da EDP", afirmou Cao Guangjing.

"Ajudaremos a EDP a encontrar novas fontes de financiamentos", acrescentou.

Fundada em 1993, para construir e gerir o maior complexo hidroelétrico do mundo, a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, a CTG é considerada uma das mais importantes empresas da China na área das energias renováveis e está envolvida em projetos hidro-elétricos em 26 países.

Cao Guangjing considerou "muito importante" o concurso para a compra de parte do capital da EDP por se tratar do "primeiro passo" do programa de privatizações do Governo português.

"Se ganharmos, a EDP irá desenvolver-se. Podemos partilhar ´know-how´ e desenvolver novos mercados", disse.

Além disso, "mais empresas chinesas irão entrar em Portugal e as relações entre os nossos dois países serão ainda mais estreitas", salientou ainda Cao Guangjing.

O presidente da China Three Gorges Corporation reafirmou que, com a entrada da sua empresa, "a EDP "continuará a ser uma companhia independente, com sede em Lisboa".

"Não mudaremos muito", disse.

Segundo informações da CTG, no final de 2009 o património da empresa somava 280,980 mil milhões de yuan (32,7 mil milhões de euros), com um capital próprio de 169,85 mil milhões de yuan (19,7 mil milhões de euros).

A CTG tem várias barragens, mas só a das Três Gargantas possui "uma capacidade anual de produção que equivale ao dobro do consumo de eletricidade em Portugal", realçou à agência Lusa um especialista do setor.


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