Campanha internacional de recolha de lixo no mar abrange cinco ilhas dos Açores

A Surfrider Foundation Europe organiza, de 22 a 30 de março, uma campanha internacional de recolha de resíduos aquáticos que abrange cinco ilhas dos Açores, disse à Lusa o coordenador regional do projeto.


 

Orlando Guerreiro explicou que a campanha "Iniciativas Oceânicas", promovida por uma organização internacional dedicada à defesa dos oceanos e orlas costeiras, abrange as ilhas Terceira (Riviera, dia 22), Faial (Porto da Feiteira, a 23), São Jorge (Fajã dos Cubres, a 29), Santa Maria (Baía dos Anjos, a 29) e São Miguel (Baía de Santa Iria, a 30).

O objetivo, detalhou o responsável pela Surfrider-Azores, é recolher resíduos, sobretudo plásticos, sensibilizar para o "impacto negativo" que estes têm na vida marinha e desmistificando que a sua origem seja no mar, mas antes em terra.

"Uma parte dos resíduos que são arrastados pelo mar e vêm dar à costa são resíduos que foram depositados em terra, ao contrário do que se pensa, de que foram deitados ao mar pelos pescadores ou embarcações", referiu, mencionando, por isso, que o 'slogan' adotado este ano é "deitar no chão é deitar no mar".

Trata-se da quarta campanha açoriana que, integrada na Surfrider Foundation, rede de organizações regionais e locais criada em 1990, em França, surgiu por ações de defesa ambiental fomentadas por surfistas, estando hoje presente no país com núcleos em Lisboa, Porto, Ericeira, Viana do Castelo e Açores.

As "Iniciativas Oceânicas", iniciadas em 1996, contabilizam, pormenorizou o responsável, "sete mil limpezas costeiras realizadas em todo o mundo", tendo ocorrido nos Açores pela primeira vez em 2011, mas com objetivo de estender-se em próximas edições "a todas as ilhas".

Para o porta-voz local da Surfrider, o principal problema está na "falta de civismo".

"Já existem formas de tratamento de resíduos e sensibilizações por parte de câmaras municipais e Governo Regional, etc., e, no entanto, quando regressamos às zonas que limpámos continua a haver deposição de resíduos em que a principal razão é mesmo a falta de civismo", afirmou.

Outro dos propósitos da organização internacional é estimular a legislação contra a poluição aquática, tendo, neste campo, o investigador da Universidade dos Açores referido ter sido dado "parecer muito positivo" a uma proposta de lei do PCP/Açores para criação de uma eco-taxa ambiental pelo uso de sacos de plástico no arquipélago, mas que, advertiu, deve ir mais longe.

"Acho que é um importante passo, mas importante era banir completamente os sacos plásticos, mas não só os sacos plásticos porque não faz sentido termos água engarrafada, em garrafas de plástico e garrafões, quando a água fornecida pelo sistema camarário é bastante boa", defendeu.

As "Iniciativas Oceânicas" contam com o apoio das autarquias, além da mobilização de diversas entidades universitárias ligadas ao ambiente e ao mar dos Açores, associações desportivas de 'surf' e ‘bodyboard' e empresas da região.

 

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Greve geral

O Governo Regional dos Açores esclareceu que “não fixou quaisquer serviços mínimos” no dia da greve geral, ao contrário do que foi referido pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS)