Luís Godinho foi o vencedor do prémio Câmera de Ouro de Fotógrafo Europeu de 2026, na categoria de reportagem/ fotojornalismo, dos FEP Awards.
Esta é a terceira Câmera de Ouro que o fotógrafo açoriano vence, a qual se junta quatro de Prata e uma de bronze, em oito anos consecutivos em que é nomeado para os FEP Awards.
Para o fotojornalista da ilha Terceira, é um motivo de “orgulho e uma honra” a conquista de mais este prémio. Acima de tudo, “é o reconhecimento do nosso trabalho. Acho que, ao longo da vida, vamos percebendo o valor que se tem e a melhor maneira de os outros valorizarem o nosso trabalho é nós, primeiramente, valorizarmos o que fazemos”, disse ao Jornal Açoriano Oriental.
Luís Godinho venceu na categoria de reportagem/fotojornalismo, com duas fotografias tiradas em São Tomé e Príncipe e uma em Moçambique, o que reforça a sua linha de trabalho, que “tem a ver com o meu propósito de contar histórias de pessoas que nem sempre têm voz. São fotografias que têm a ver ou com os direitos humanos ou com causas sociais, que para mim são causas muito importantes”, afirmou, para sublinhar que “este é um marco que quero deixar na minha carreira: continuar a fazer aquilo que acredito e uma vez mais levar o nome dos Açores além fronteiras”.
Sobre as fotografias vencedoras, Luís Godinho explica que uma das fotografias de São Tomé e Príncipe foi tirada numa missão com a ONG HELPO em que “queriam uma reportagem que se visse a parte humana, a parte nua e crua de como é que é a vida de uma criança em São Tomé e Príncipe, de forma a cativar mais padrinhos”. Recorda que foi “no final de novembro, estava a chover torrencialmente e as crianças aproveitam a chuva para brincarem na rua, descalças, nas poças de lama. E fui para a rua também... foi tão bonito de ver... transportou-me um bocadinho para a minha infância (...). Entretanto, há quatro ou cinco miúdos que se encostaram numa casa e estavam a apanhar a chuva da beira da casa com a boca e, isso contrasta muito com aquilo que é hoje em dia as brincadeiras das crianças”.
A outra fotografia, diz que também é bastante inspiradora, foi na mesma missão. “Estávamos numa pequena creche, no meio de uma aldeia bastante pobre e as crianças estavam no recreio, mas aquela criança estava sozinha numa sala, com o irmão no colo dele, e atrás está uma imagem de um astronauta com as estrelas. É como se fosse um sonho. A fotografia está muito impactante”.
A terceira fotografia foi tirada em Moçambique. Refira-se que Luís Godinho tem feito muitas reportagens em Moçambique, algumas conhecidas, como a exploração ilegal de umas minas ou as crianças que viviam numa lixeira. O fotojornalista conta que no final daquele dia “quis retratar as mulheres que vivem do mar. São mulheres que vivem da apanha de algas ou dos bivalves. Esperam quase ao longo do dia todo ou duas vezes por dia - depende da hora para a maré vazar - para poderem apanhar as algas”. Acrescenta que é uma fotografia “bastante interessante porque estava o pôr-do-sol e vê-se as silhuetas as mulheres”.
Luís Godinho está a preparar novos projetos e em fevereiro deste ano voltou a São Tomé. Afirma que nesse início de ano “estive a escrever muita coisa, estou com alguns trabalhos fora daqui, alguns em África e outros na Europa”. Não querendo desvendar, para já, muito desses trabalhos, o fotógrafo sempre vai adiantando que “são na área dos direitos humanos e na área ambiental. Estou também a fazer algumas coisas na Terceira porque para mim também é importante, criar raízes e fazer coisas cá. Estou a acabar um trabalho sobre uma criança em que tem uma variante rara de uma doença. Estou a acompanhar a vida dele já há um ano, o trabalho irá sair em breve. Só começou aqui uma parte final que é a parte mais científica. A história dele é maravilhosa, é uma criança super inspiradora, fiquei fascinado”.
