Açores têm reservas de combustíveis que dão para um mês

Região pode igualmente aceder à reserva nacional e, por isso, a secretária com a pasta da energia, Berta Cabral, pediu ao Governo da República que tenha em conta a dependência de combustíveis das regiões autónomas, caso a guerra escale e aconteça rutura de fornecimento



Os Açores têm reservas de combustíveis instaladas na Região que dão para um mês de abastecimento. A reserva dos Açores está incluída na reserva nacional que, no seu global, dá para três meses de abastecimento em todo o país. E em caso de necessidade, os Açores poderão aceder à reserva nacional, instalada em território continental, com autorização da Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), que gere a reserva nacional. 

Isto porque, “qualquer interrupção no abastecimento de combustíveis coloca diretamente em risco o fornecimento de eletricidade, com impactos profundos sobre as famílias, os serviços essenciais, a atividade empresarial, a indústria, o comércio, o turismo e a agricultura”, alerta Berta Cabral, a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, que tem a pasta da energia. 

Nos Açores e ao contrário do que acontece no continente português, as pessoas e as mercadorias não podem entrar e sair por comboio, camião ou autocarro. Tudo entra e sai de avião, no caso das pessoas e de barco, no caso das mercadorias. 

Por isso, caso a guerra no Irão escale e aconteça uma rutura mundial temporária no abastecimento de combustíveis, Berta Cabral já procurou garantir junto do Governo da República que a situação das regiões autónomas terá a prioridade devida no acesso à reserva nacional, para que os arquipélagos nunca corram o risco de perder uma ligação mínima - social e económica - ao continente português e por via deste, ao resto do mundo. 

Nesse sentido, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, enviou esta semana uma carta à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, alertando para a gravidade da conjuntura internacional marcada por uma “elevada instabilidade dos mercados energéticos, fortes tensões geopolíticas e crescentes limitações na disponibilidade e no preço dos combustíveis”.

Citada pelo Portal do Governo Regional, Berta Cabral exigiu que o Governo da República tenha em conta “de forma clara e consequente” as especificidades das regiões autónomas e em especial dos Açores, “cuja condição arquipelágica e ultraperiférica acentua de forma significativa a vulnerabilidade a ruturas no abastecimento energético”.
Sobre a carta enviada à ministra do Ambiente e Energia, Berta Cabral salienta ainda que “os Açores dependem exclusivamente do transporte marítimo para o fornecimento de combustíveis, ficando especialmente expostos a interrupções nas cadeias logísticas internacionais”. 

Uma realidade “estrutural” que impõe “soluções diferenciadas, planeamento próprio e uma salvaguarda reforçada nos mecanismos nacionais de prevenção e resposta a crises energéticas”, salienta a secretária regional com a pasta da energia. 

Berta Cabral afirmou ainda que a mobilidade dos cidadãos açorianos, assim como a ligação da Região ao exterior e interilhas, “depende de forma determinante do transporte aéreo, quer para passageiros, quer para bens essenciais, evacuações médicas, operações de emergência e funcionamento de serviços públicos fundamentais”. E num cenário de rutura no abastecimento de combustíveis, “os efeitos combinados sobre o transporte marítimo e aéreo, a produção de eletricidade e a logística regional seriam imediatos e severos, comprometendo a mobilidade interilhas e com o continente, o acesso a cuidados de saúde diferenciados, a segurança energética e o normal funcionamento da economia açoriana”.

Até porque, “a salvaguarda do abastecimento de combustíveis na Região Autónoma dos Açores não é apenas uma questão operacional. É uma condição essencial da coesão territorial, da segurança energética nacional e da proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos açorianos”, concluiu Berta Cabral.

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