“Não vamos ser um Conselho de Ilha para enfrentar a Terceira. Nós não precisamos disso. Precisamos, sim, de um Conselho de Ilha que identifique os problemas de São Miguel e que ajude a quem governe e decide - desde o Governo Regional até às juntas de freguesia - que São Miguel tem de estar primeiro”. Esta foi uma das declarações de Jorge Rita, ontem, durante a a instalação do Conselho de Ilha de São Miguel, ao qual presidirá.
Eleito por maioria (26 votos a favor em 36, com os restantes a serem nulos ou brancos), o também presidente da Associação Agrícola de São Miguel vai ser acompanhado por Gualter Couto (Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada), Ana Simas (UGT) e Diogo Caetano (Amigos dos Açores - Associação Ecológica).
Nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Ponta Delgada, perante a presença dos conselheiros - entre presidentes de câmara, de junta de freguesia, deputados regionais e municipais e diversos representantes da sociedade civil - Jorge Rita deixou o compromisso de ser a voz da defesa da ilha de São Miguel e não contra os interesses das outras ilhas.
“São Miguel, quer se goste mais ou se goste menos, é o farol dos Açores: tem mais de 60% da população e tem mais de 60% da economia e isto são dados que ninguém pode contrariar. A vontade de todas as ilhas em ter mais, nós não estamos contra isso, eu acho que é legítimo que reivindiquem o que querem para si. Mas São Miguel é que não pode perder a reivindicação, tendo mais população, mais economia, mais necessidades e mais problemas”.
Entre os desafios, Rita elencou aspetos que considera “essenciais para o bom desenvolvimento de São Miguel e nos quais sentimos todos um pouco que estamos a ficar para trás”, como os transportes (terrestre, marítimo e aéreo), a pobreza, a segurança, a habitação, a economia e a saúde, com especial enfoque no tema que tem aquecido os debates: o futuro do Hospital do Divino Espírito Santo.
“Não podemos aceitar de ânimo leve que alguém diga que a recuperação do nosso hospital vá onerar a nossa região para sempre. É uma afronta demasiado elevada que já devia ter sido acabada. O hospital é preciso, é indispensável e não é fazendo um hospital mais pequeno do que havia, quando há mais turismo, mais pessoas e muitas mais necessidades”.
Rita sublinha que a situação de saúde em São Miguel está “complicada”, fruto do que considera “algum impasse nas decisões em relação ao que é que tem que ser feito no hospital”.
O presidente do Conselho de Ilha de São Miguel foi mais longe, criticando o que considera incongruências do poder político: “Não se pode ter um discurso que se quer as reformas antecipadas e depois não queremos que se faça um hospital para tratar dos doentes. É essa incongruência que ninguém desmente!”.
Incongruências e indefinições que, na opinião de Jorge Rita, estão a deixar o poder político refém. “Um Governo Regional, ou uma Câmara Municipal, não pode estar refém nem condicionado por alguém que tem opinião pública publicada todos os dias na comunicação social. Quem tem medo do que diz a comunicação social ou as redes sociais, o melhor que tem a fazer é não governar”.
E pede celeridade, afirmando que não quer mais grupos de trabalho: “Nós conhecemos o trabalho que foi feito pela Comissão que foi instituída pelo Governo Regional dos Açores. Não vamos fazer mais comissões para ter mais pareceres para as mesmas coisas. Há que aproveitar o trabalho feito e, rapidamente, tomar uma decisão em relação ao que será a saúde nesta ilha”.
Assim, o Conselho de Ilha de São Miguel compromete-se a elaborar, em breve, um memorando que será entregue ao Governo Regional dos Açores, com todos os problemas que a ilha enfrenta, mas também uma análise económica ao peso que a ilha tem no PIB regional, identificando o que custa cada açoriano no Orçamento Regional. “São Miguel é muito penalizada por ser solidária com as outras ilhas”, afirmou, dando como exemplos o facto de São Miguel ser a única sem discriminação positiva ao nível dos apoios, ou o facto da ilha suportar em 76% o custo dos transportes marítimos no arquipélago.
Durante a instalação do Conselho de Ilha, houve apenas duas intervenções: o deputado municipal do PS, Nuno Miranda, que criticou a inação do órgão consultivo durante o último ano; e a deputada regional socialista, Sandra Costa Dias , que sugeriu que as reuniões do Conselho de Ilha com o Governo Regional dos Açores fossem alargadas ao plenário de conselheiros.
À crítica, Jorge Rita disse que não era correto afirmar
que não foi feito nada, justificando o funcionamento do último ano com
situações pessoais que afetaram duas funcionárias que prestavam apoio.
Sobre a sugestão, considerou positiva, assinalando que na última reunião
com o executivo, o Conselho deIlha esteve com todos os governantes
“exceto com o vice-presidente”.
