Calendário das vindimas no Douro teve de ser corrigido por causa do clima


 

Lusa / AO online   Economia   2 de Out de 2010, 14:04

A vindima no Douro veio confirmar um aumento da produção, mas as variações climáticas provocaram atrasos nas maturações e problemas de acidez em alguns locais da região demarcada, obrigando a um maior trabalho por parte do enólogo.

A vitivinicultura é uma actividade que está completamente dependente dos humores do clima. A consulta aos sites de meteorologia tornou-se numa importante ferramenta de trabalho para enólogos e produtores.

E o ano de 2010 não foi fácil. A chuva que se caiu até ao verão e depois as altas temperaturas entre julho e agosto, às vezes ultrapassando os 40 graus, provocaram um atraso na maturação da uva.

O Douro começou a vindimar no final de agosto as uvas brancas, mas o corte das tintas começou mais tarde e ainda se irá prolongar por mais uma a duas semanas.

O responsável da Associação Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) afirmou à Agência Lusa que a “variação climática obriga a acertar o compasso de realização de vindima”.

“Contrariamente àquilo que se possa considerar uma sequência bastante alargada de dias com altas temperaturas não são benéficas a um desenvolvimento no processo fotossintético e ao metabolismo da planta. Esta precisa de temperaturas relativamente mais frescas para evoluir de uma forma mais rápida” referiu Fernando Alves.

Também Celso Pereira, enólogo Caves Transmontanas, em Alijó, disse que, de forma heterogénea pelo território, as condições meteorológicas levaram a “algum stress hídrico e degradação dos ácidos na planta”.

“Isso veio fazer com que o metabolismo da planta não realizasse a maturação fenólica em perfeito estado”, salientou.

A situação é heterogénea porque também a Região Demarcada do Douro não é igual. Nas zonas mais altas, com mais sol, luz, chuva e solos graníticos a situação é melhor do que nas zonas mais baixas.

Celso Pereira explicou ainda que a “acidez vai influenciar a qualidade do vinho”.

“É fundamental para fazer vinhos de grande qualidade. A acidez é um dos fatores principais para termos o equilíbrio, melhor conservação e melhor envelhecimento dos vinhos”, acrescentou.

Vai ser, por isso, necessário um “maior trabalho por parte do enólogo”.

O investigador salientou que o segredo para a qualidade da colheita será a seleção das uvas e as preparações em adega.

“É um ano de labuta, mas é nestes anos que temos que esgrimir os nossos argumentos e tentar fazer um trabalho válido”, sublinhou.

Fernando Alves salientou que a vindima está a confirmar as previsões de aumento de produção na mais antiga região demarcada do Douro.

“Embora de forma heterogénea, confirmam-se subidas importantes relativamente ao ano passado”, afirmou.

Segundo ADVID, a expetativa de colheita para esta vindima possui um intervalo entre as 303 e as 366 mil pipas.

A confirmarem-se as previsões, o aumento da produção poderá aumentar em 40 por cento, comparando com o volume declarado no ano passado (211 mil pipas) e cerca de 20 por cento superior à média de produção neste território (265 mil pipas).


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