Bispo pede “peregrinos da esperança” em tempos de tragédia

Na Sexta-Feira Santa, D. Armando Esteves Domingues apelou a que todos se tornem “peregrinos da esperança” em altura de tragédias e incertezas e lembrou os mais vulneráveis



O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, apelou nesta Sexta-Feira Santa a que todos se tornem “peregrinos da esperança”, mesmo nos tempos atuais de “grandes tragédias e incertezas”, e fez questão de lembrar as dificuldades que enfrentam os mais vulneráveis, principalmente as mulheres e crianças.

Segundo o sítio da Igreja Açores, as declarações do bispo de Angra foram proferidas na homilia da Paixão - celebração da Sexta-feira Santa em que a Cruz é o centro da reflexão e meditação dos cristãos.

“É possível vislumbrar a luz da esperança, do ressuscitado, por detrás de cada cruz ou dificuldade”, considerou D. Armando Esteves Domingues, deixando um convite à “renovação da fé e do compromisso fraterno”.

A meditação do bispo de Angra centrou-se no papel de Maria como modelo de “presença, coragem e humildade”, tendo considerado que, “em tempos de incertezas, a fé cristã apresenta-se  como farol de esperança, capaz de iluminar até as noites mais escuras da humanidade”.

“Precisamos que ela [Maria] nos indique como enfrentar o presente e esteja ao nosso lado nos nossos dias, nas solidões do nosso tempo, nas polarizações – mesmo dentro das nossas comunidades – e em todo o tipo de conflito”, concluiu.

De acordo com o sítio da Igreja Açores, D. Armando Esteves Domingues aproveitou ainda a ocasião para lembrar as dificuldades dos mais vulneráveis, principalmente das mulheres e crianças, que continuam a sentir-se “abandonados por Deus” no meio das atuais tragédias.

“Este grito de Deus continua a ouvir-se em todos os gritos de morte no meio das guerras assassinas, dos inocentes em Gaza, na Ucrânia e em todas as guerras civis, conflitos étnicos e religiosos e a atuação de grupos extremistas em África”, frisou o bispo de Angra.

Para o prelado, este é também o grito “das vítimas da exploração injusta, do tráfico humano, da prostituição, da escravidão das dependências”.

D. Armando Esteves Domingues não esqueceu também as realidades “mais próximas” na celebração da Paixão, como “as desavenças familiares, a violência doméstica (física, verbal e psíquica), a pobreza extrema, a marginalização dos que vivem na rua e dos que não têm acesso à cultura ou às condições básicas de vida”.

“Este mistério de iniquidade, que faz pagar o justo pelo culpado, é também o mistério do amor de Deus”, sublinhou, considerando ainda que “hoje não podemos ficar insensíveis ao mistério do sofrimento no qual Deus nos salva”.

E prosseguiu, questionando se não será esta “a luz” que o mundo precisa para “fazer vencer os relacionamentos entre pessoas e entre povos, salvar a comunhão fraterna para que tenha consequências na vida social, económica e política”, refere a Igreja Açores.

Refira-se que a Sexta-Feira Santa na Região também ficou marcada por manifestações de devoção como vias sacras e procissões, sendo disso exemplo a Procissão do Senhor Morto, que decorreu pelas ruas da cidade de Angra do Heroísmo e reuniu todas as paróquias da cidade.

Já em Roma, o Papa Francisco criticou “a economia que mata” nas meditações que escreveu para serem lidas na Via Sacra de sexta-feira, no Coliseu, uma vez que não pode estar presente por ainda estar a recuperar da infeção respiratória.

Nas 14 estações em que se descreveu a Paixão de Cristo, o Papa fez reflexões como a que propõe abraçar “a economia de Deus, que não mata, não descarta, não esmaga. É humilde, fiel à terra”.

“No entanto, construímos um mundo que funciona assim: um mundo de cálculos e algoritmos, de lógica fria e interesses implacáveis”, criticou o Papa nas meditações da Via Sacra, que nesta ocasião foi presidida pelo delegado do Papa e Vigário de Roma, Cardeal Baldassare Reina.

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