Biocombustíveis abrem oportunidades


 

Lusa / AO Online   Economia   7 de Dez de 2007, 18:38

A produção de biocombustíveis abrirá uma oportunidade de negócios ao triângulo formado por Portugal, Brasil e pela África lusófona, salientou hoje um dos principais especialistas portugueses sobre o tema.
    Pedro Sampaio Nunes, presidente da First Force - Sociedade de Desenvolvimento de Biocombustíveis, disse que o etanol e o biodiesel são um verdadeiro "ouro verde" capaz de fazer frente às fontes tradicionais de energia, como o petróleo.

    "Portugal, Brasil e os países africanos de língua portuguesa formam uma equação onde todos podem ganhar, com a união de esforços podem liderar esse processo mundial", salientou.

    Pedro Sampaio Nunes falava à margem do quarto Encontro Empresarial Brasil-Portugal, que decorre hoje no Rio de Janeiro, com a participação de dezenas de empresários a discutir o tema energia.

    O empresário classificou de "disparate" o argumento de que a produção de biocombustíveis levará à diminuição da produção de alimentos, e o consequente aumento da fome no mundo.

    "Os interesses actualmente instalados, que estão a ser contrariados, lançam mais essa cortina de fumo contra os biocombustíveis", disse.

    "A verdade é que o biocombustível é única resposta imediata e eficaz à crise do petróleo e à necessidade de reduzirmos as emissões de CO2, responsáveis pelo aquecimento global", afirmou.

    Actualmente, o etanol brasileiro custa cerca de metade da gasolina consumida na Europa, mas as barreiras comerciais impedem que o Brasil exporte o produto, disse Sampaio Nunes.

    "As barreiras comerciais são um absurdo, defendidas pelos produtores de petróleo e pelos agricultores franceses, que teriam seus interesses contrariados com a importação de etanol", sublinhou.

    O especialista salientou que o preço do petróleo subiu cerca de 800 por cento, nos últimos nove anos, e as reservas do mineral já dão sinais de esgotamento, uma vez que para cada barril de petróleo descoberto, quatro são consumidos.

    O presidente da empresa Technoplan, Roberto Hukai, indicou que o consumo mundial ronda os 85 milhões de barris por dia de petróleo, muito próximo do limite de produção, que é de cerca de 100 milhões.

    "Os limites de produção dizem respeito ao acesso restrito a novas áreas, custo crescente de exploração e a complexidade geológica de novos campos", disse.

    O consumo de petróleo deverá registar um aumento, com o crescimento da economia mundial e a consequente entrada de 2,5 mil milhões de pessoas no mercado consumidor, com o aumento do poder de compra na China e Índia.

    As projecções indicam que o número de automóveis aumentará dos actuais 830 milhões para 5,2 mil milhões de unidades, até 2040, 400 milhões delas apenas na China.

    O Encontro Empresarial Brasil-Portugal decorre de dois em dois anos, sendo que o último teve lugar em Salvador, capital do Estado da Baía, em 2005, precedido por São Paulo (2003) e Belo Horizonte (2001).

    Os encontros são promovidos pelo Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil e têm lugar cada dois anos, envolvendo empresários e entidades oficiais de ambos os países.

    O Conselho das Câmaras representa entidades em nove estados, nomeadamente em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Baia, Pernambuco, Ceará e Pará.

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