Bife dos Açores é uma variante do inglês e é servido a milhares de turistas


 

Lusa/Ao online   Regional   16 de Mar de 2019, 11:05

O bife à regional dos Açores nasceu no restaurante Alcides há cerca de 60 anos, é uma variante do bife à inglesa, e hoje, no restaurante da Associação Agrícola, as vendas atingem 177 mil unidades por ano.

Pedro Melo, gestor do restaurante Alcides, refere que o seu pai, Alcides Cabral de Melo, foi o promotor do bife à Alcides, hoje designado por bife à regional e servido em vários restaurantes da ilha de São Miguel.

A carne usada no bife dos Açores é maioritariamente originária do arquipélago, sendo proveniente do efetivo leiteiro que é criado em pastagens verdejantes, na natureza, e considerada por cozinheiros de renome, como o 'Chef' Chakall, que já o confecionou na ilha.

O empresário explica que tudo começou quando o cozinheiro Manuel Craveiro, que confecionava um bife à inglesa para casas senhoriais de Ponta Delgada, foi trabalhar para o restaurante de Alcides Cabral de Melo, que “resolveu avançar com uma variante daquele bife com recurso à denominada pimenta da terra e alho da ilha de São Miguel”.

O responsável do restaurante Alcides possui ementas de 1963 já com o bife à Alcides a figurar, custando, na altura, 1,5 escudos, havendo clientes que procuram aquele espaço “há várias décadas", alguns "com 50 anos de casa”.

O restaurante mantém-se fiel ao formato tradicional do seu bife, estando Pedro Melo apostado a continuar a “respeitar integralmente” a receita do pai e do cozinheiro Manuel Craveiro.

Mas se existem hoje vários restaurantes especialistas na confeção do bife à regional, é no restaurante da Associação Agrícola da ilha de São Miguel (AASM), no concelho da Ribeira Grande, que se atingem dimensões industriais.

Alguns consideram o restaurante a “catedral da carne” dos Açores, sendo procurado por milhares de turistas e locais, segundo Simão Lemos, gestor do espaço de restauração.

Considerando que "mais do que um espaço onde se pode usufruir um bom bife", neste local, que "passou a integrar o roteiro turístico da ilha", foram confecionados em 2016, 214 bifes por dia (77.040 por ano), tendo este valor aumentado para 434 unidades diárias (156.240 por ano) em 2017 e para 494 (177.984 por ano) em 2018.

Além do bife tradicional micaelense, o restaurante da lavoura de São Miguel apresenta outras variantes de bife com recurso a produtos regionais como o ananás, o maracujá e o queijo de ilha, destaca Simão Lemos, que ressalva que esta foi uma forma de “acompanhar a evolução” ditada por novas tendências.

O responsável refere que existem bifes para todos os gostos e em várias quantidades, desde as 200 às 400 gramas, havendo ainda outras variedades como os hambúrgueres com molho do bife à regional, entre outros produtos associados à carne.

Simão Lemos considera que “a procura tem sido alta porque se prima pela qualidade” e admite que o restaurante já foi confrontado com dificuldades na aquisição da matéria prima - comprada em todos os talhos das diferentes ilhas - para fazer face à procura, apesar da carne ser comprada “durante todo o ano” e armazenada numa unidade de frio de grande capacidade.

Pelo restaurante já passaram várias figuras das artes, do cinema e do espetáculo, que vão a Ponta Delgada atuar nas suas salas, destacando Simão Lemos personalidades como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a par de comissários europeus.



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