Novo banco de capitais maioritariamente angolanos

BIC Portugal já tem autorização do Banco de Portugal


 

Lusa/AO   Economia   30 de Out de 2007, 07:01

O banco BIC Portugal, de capitais maioritariamente angolanos, em que o empresário português Américo Amorim possui uma participação de 25 por cento, já recebeu autorização do Banco de Portugal para iniciar a sua actividade, apurou hoje a Lusa.
"Já recebemos a autorização do Banco de Portugal", afirmou uma fonte ligada ao processo de criação daquele que será o primeiro banco português com capitais maioritariamente angolanos.

    O novo banco, que será presidido pelo ex-ministro português Luís Mira Amaral, vai ter uma estrutura accionista idêntica à do banco BIC de Angola, que iniciou a sua actividade em Maio de 2005 e já se tornou numa das maiores instituições bancárias do país.

    Assim, os maiores accionistas do BIC Portugal serão o empresário português Américo Amorim, com 25 por cento, e a Sociedade de Participações Financeiras (SPF), da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, que também terá 25 por cento.

    Fernando Teles, presidente do BIC, terá uma participação de 20 por cento no BIC Portugal, que terá ainda como accionista de referência o empresário luso-brasileiro José Ruas, com 10 por cento.

    O restante capital será dividido por vários accionistas angolanos, cada um com uma participação de 5 por cento.

    Neste grupo de accionistas encontra-se Sebastião Lavrador, ex-governador do Banco Nacional de Angola.

    Em declarações segunda-feira à Lusa, em Luanda, quando ainda não era conhecida a decisão do Banco de Portugal, Mira Amaral afirmara esperar que o BIC Portugal pudesse iniciar a actividade nos primeiros meses de 2008.

    A nova instituição já possui instalações na capital portuguesa, na zona do Marquês de Pombal, devendo alargar a sua actividade posteriormente ao Porto.

    O BIC Portugal, segundo Mira Amaral, "não será um banco de retalho", assumindo-se como um pequeno banco grossista que orientará a sua actividade para o apoio a empresários angolanos que pretendam instalar-se na Europa e a empresários portugueses com interesses em Angola.

    A gestão de activos financeiros angolanos no continente europeu e a intermediação financeira de fluxos entre Angola e Portugal são outras áreas onde o banco pretende intervir.

    "É um banco que vai nascer muito ligado à operação que o BIC tem em Angola", frisou Mira Amaral, salientando que o novo banco pretende assumir um papel importante no "fortalecimento e desenvolvimento das relações económicas entre Portugal e Angola".
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