‘Bancos à Beira Lua’ reflete evolução de Valério AZ

O açoriano lançou no final do ano passado o seu primeiro álbum de originais que espelha a sua evolução na música. O seu objetivo é levar esse trabalho ao maior número de palcos



O músico açoriano, Valério AZ (nome artístico de Gonçalo Valério) lançou, no final do ano passado, o seu segundo álbum e o primeiro de originais, intitulado ‘Bancos à Beira Lua’.

Este seu novo projeto demonstra a sua evolução e maturidade na música. Em declarações ao jornal Açoriano Oriental, Gonçalo Valério afirma que este álbum é uma “forma de cimentar um pouco mais a minha sonoridade enquanto artista”, bem como o de “encontrar o meu espaço dentro do hip-hop, porque o hip-hop acaba por ser um termo muito amplo”. 

O músico, natural de São Miguel, refere que tem “um nicho específico e consegui, neste projeto, trabalhar em prol de desenvolvê-lo mais”. Neste seu novo trabalho encontra-se, também, “uma vertente mais de jazz e uma mistura de vários tipos de canção com o que é o hip hop padrão”. É “essa é a forma como descrevo a sonoridade deste trabalho, que é também um álbum bastante introspetivo no seu todo”, disse para acrescentar que “em termos de significado, é um álbum que remete muito às minhas raízes. Reflete, igualmente, sobre a partida e posteriormente o regresso à minha terra natal, nesse caso as ilhas”.

O músico sublinha que “como a saudade insular é algo muito específico e, se calhar, muitas vezes, só as pessoas das ilhas conseguem entender essa saudade e ao que me estou a referi, ora, isso está presente em alguns temas do álbum”. Por outro lado, outros temas do novo trabalho de Valério AZ “abordam diferentes formas de amor, diferentes maneiras de olharmos para dentro, como por exemplo o tema ‘Saramago’, que fala sobre a frustração do processo criativo”.

Para o músico trabalhar neste projeto foi um “processo longo. Aliás, foi longo desde que lancei o meu primeiro álbum (2017) porque, na altura, só escrevia - era aquilo que gostava de fazer e era o que sabia - mas logo após ter lançado esse primeiro projeto, senti que era uma limitação não ter tido qualquer formação musical, porque tinha as ideias cá dentro e não as conseguia colocá-la para fora”. Explicou, ainda, que “isso levou a que o processo de aprendizagem fosse um pouco lento, muitas vezes de forma autodidata, mas de aprender, não só a teoria da música, mas alguns instrumentos, e poder começar a aprender a compor e a produzir digitalmente nos softwares”.

Valério AZ enfatiza que “estes oito anos de interregno entre um projeto e outro, não foram só para compor as minhas próprias músicas, mas também um período de experimentação e aprendizagem”.

O próximo passo é a promoção de ‘Bancos à Beira Lua’. Valério AZ gostava de fazer um concerto de “maior dimensão, tentar desenvolver um conceito bom. Ou seja, fazer um desenho de luz, também a nível de cenário, de cenografia, de adereços”. Depois “tentar vendê-lo, não só para as ilhas, mas também para o resto do país”. Revela, ainda, que está a tentar “criar uma ponte entre os Açores e Florianópolis (Brasil). Gostava de realizar um concerto naquela que é para alguns décima ilha dos Açores. É nisso que me vou focar nos próximos tempos e continuar a compor”.

De acordo com o músico, “é difícil viver-se da música nas ilhas”, mas isso “não impede que alguém das ilhas não consiga fazer vida disso. Terá, provavelmente, ter de sair delas para continuar a sua carreira”, reforçando que “o mesmo se aplica em Lisboa, no Porto ou em qualquer sítio. Portugal acaba por ser um país muito pequeno e com um mercado pequeno”. Contudo, “continuamos a fazer música porque gostamos, porque é uma necessidade, porque sentimos que temos que fazer música, seja qual for a razão”.
Salienta que “queremos sempre entregar o melhor produto e se houver a possibilidade de um dia chegarmos ao maior número de pessoas, muito bem. Mas acho que a maior parte das pessoas que realmente fazem música é por gosto e vão continuar a fazer, com mais ou com menos dificuldades. Há que ser resiliente nesse caso, é a única forma”, finalizou.

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