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Assembleia das Lajes das Flores exige soluções para transporte de mercadorias

A Assembleia Municipal das Lajes das Flores, nos Açores, aprovou na noite de quinta-feira, por unanimidade, duas moções que exigem soluções para o problema do abastecimento de mercadorias para a ilha.

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Foto: Açoriano Oriental/Ana Carvalho Melo
Autor: Lusa/AO Online

Uma das propostas, apresentada pelo PSD, exige que o Governo Regional encontre um navio adequado ao abastecimento da ilha, mas também que crie um gabinete para a coordenação logística de toda a mercadoria com destino às Flores, que tem sido servida, desde o furacão “Lorenzo”, em outubro, por uma embarcação mais pequena, com capacidade de carga considerada insatisfatória para o comércio local.

“Defendemos que seja criado um gabinete de coordenação logística, na dependência do senhor presidente do governo, com efetivo poder de decisão”, insistiu Bruno Belo, deputado do PSD, justificando que não é possível continuar “com a desorganização que, neste momento, impera naquilo que é o abastecimento às Flores e também naquilo que são as exportações dos animais vivos”.

O parlamentar social-democrata deu como exemplo o facto de o navio “Paulo da Gama”, da empresa de Transportes Marítimos Graciosenses - o único navio que tem conseguido operar no porto das Lajes das Flores desde os estragos provocados pelo furacão –, ter saído da ilha, ao final da tarde de quinta-feira, levando apenas uma pequena quantidade de gado para exportação, por não existirem mais contentores adequados para esse transporte.

A outra proposta aprovada por unanimidade foi apresentada pela bancada municipal da PS, que gere as duas câmaras municipais da ilha (Lajes e Santa Cruz), defendendo a criação de uma linha de crédito para apoiar os empresários da ilha, que estão a passar dificuldades por falta de mercadorias.

O deputado municipal socialista José Eduardo explicou que esta é a altura de os partidos colocarem as suas divergências políticas de lado e procurarem uma solução comum para os problemas da ilha, criticando mesmo a falta de planeamento no transporte de mercadorias que atualmente se verifica para as Flores.

“Sabemos que nem tudo se resolve rapidamente, mas esperamos sinceramente que haja mais celeridade e mais atenção a alguns pormenores que, pelo que se ouviu hoje aqui, têm, se calhar, sido deixados um pouco ao acaso, no caso do transporte de mercadorias e da forma como se tem abastecido a ilha”, admitiu.

Esta Assembleia Municipal extraordinária, que se prolongou noite dentro, tinha sido proposta por um grupo de cidadãos, que exige uma solução célere para o abastecimento de mercadorias à ilha.

Desde o dia 02 de outubro, as Flores deixaram de poder ser abastecidas por um navio porta-contentores, devido à destruição do porto comercial.

Gustavo Alves, marinheiro da Marinha Mercante e um dos primeiros subscritores da reunião, disse à Lusa, no final do encontro, que já teve oportunidade de explicar ao Governo Regional onde é que existe um navio com capacidade para abastecer a ilha das Flores e de atracar no porto das Lajes, nas atuais condições.

“Existem navios com capacidade e manobrabilidade para efetuar a operação aqui no porto das Lajes, mesmo estando assim bastante afetado”, referiu o jovem florentino, lamentando que não haja “vontade política”, por parte do Governo Regional, para resolver o problema.

Na Escócia, referiu, há um navio com cerca de 75 metros de comprimento, disponível para operar nos Açores, com capacidade para transportar cerca de 50 contentores, 1.000 toneladas de combustível e 320 metros cúbicos de cimento numa só viagem.

Com a destruição do porto comercial das Lajes das Flores, as embarcações que abastecem a ilha são obrigadas a operar num cais interior, com apenas 60 metros de comprimento e –5 de calado, que não permite a atracagem dos habituais navios porta-contentores, que faziam escala na ilha antes do furacão “Lorenzo”.

De acordo com as estimativas do Governo Regional, só a reconstrução do porto comercial das Flores deverá custar cerca de 190 milhões de euros.



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