Exposição

Arte bonecreira vive na Lagoa e ganha força na época do Natal

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Lusa/AO online   Regional   14 de Dez de 2010, 10:43

A ‘arte bonecreira’ continua viva na Lagoa, onde as mãos hábeis de artesãos continuam a dar forma e cor a expressivos bonecos em miniatura que perpetuam esta tradição.
Uma procissão, uma romaria, a matança do porco, bandas de música ou um oleiro na sua fábrica são alguns dos milhares de bonecos de várias cores que integram presépios espalhados pelos Açores e nas comunidades de emigrantes dos EUA e Canadá.

A produção destas pequenas figuras de barro começou na segunda metade do século XIX com a abertura das primeiras fábricas de cerâmica no concelho de Lagoa, numa arte que chegou a ser um complemento ao sustento de muitas famílias, mas também uma forma de ocupar os tempos livres.

Carlos Pacheco, ‘bonecreiro’ há mais de 25 anos, dedica atualmente “uma boa parte do dia” ao fabrico de pequenos bonecos de barro, numa arte que aprendeu com o sogro.

“É uma arte que requer muita paciência e gosto”, frisou o artesão, de 67 anos.

Num espaço que foi sendo “renovado e ampliado” ao longo dos anos, Carlos Pacheco molda os bonecos a partir de blocos de barro, numa ocupação que antes fazia nos intervalos do emprego e agora, depois da reforma, assumiu “a tempo inteiro”.

“Faço bonecos todo o ano. Estou 100 por cento dedicado aos bonecos”, afirmou, acrescentando que produz para uma loja de artesanato em Ponta Delgada bonecos que “continuam a ter muita saída”.

Os emigrantes que visitam a ilha são dos principais compradores, mas na época natalícia os bonecos também “desaparecem” da loja, o que obriga a uma produção constante para repor as figuras vendidas.

Na sua pequena oficina, instalada no quintal da residência, as pequenas figuras são finalizadas com “o toque da pintura à mão” da esposa, culminando um processo de fabrico que envolve a modelagem do barro, a secagem das figuras durante um dia, a cozedura das peças e, por fim, a pintura.

Para mostrar o trabalho dos ‘bonecreiros’ e preservar esta arte, mais de 300 miniaturas estão em exposição na mostra ‘Presépio da Lagoa – entre a arte e a tradição’, que pode ser visitada até 6 de janeiro, no Museu do Presépio.

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