Casa Pia

Arguido Manuel Abrantes afirma estar "ansioso" para ouvir alegações finais da acusação


 

Lusa/AO online   Nacional   24 de Nov de 2008, 08:46

Um dos arguidos no processo Casa Pia, o ex-procurador adjunto Manuel Abrantes, afirmou hoje à chegada ao tribunal de Monsanto estar "ansioso, na expectativa do que o Ministério Público tem para dizer".
"Ao longo destes quatro anos tentámos dizer onde estávamos ou não estávamos, agora é a vez de o MP e os assistentes dizerem onde estavam, porque até agora não sabemos", disse Manuel Abrantes, à chegada ao tribunal para ouvir as alegações finais do Ministério Público no julgamento de abusos sexuais a menores na instituição.

    Questionado pelos jornalistas à entrada do tribunal sobre como vê este dia, o arguido e apresentador de televisão Carlos Cruz limitou-se a responder "com os olhos".

    O advogado do arguido Manuel Abrantes, Paulo Sá e Cunha, afirmou aos jornalistas haver razões para pensar que o julgamento terá mais adiamentos, acrescentando que, embora seja "difícil nesta altura" ter grandes trunfos na manga, "vamos ver se não vêm de outro lado que não do MP".

    Paulo Sá e Cunha defendeu que no caso de Manuel Abrantes, "o MP deveria pedir a absolvição, não havendo prova consistente", mas ressalvou não ser essa a sua expectativa.

    O advogado da Casa Pia e das vítimas, Miguel Matias, disse que as alegações vão começar de certeza hoje, como está previsto.

    Referindo-se às declarações da juíza Ana Peres, que há duas semanas disse que "quer faça chuva, faça sol ou chovam picaretas, as alegações finais começam a 24 de Novembro, Miguel Matias afirmou trazer "um guarda chuva à prova de balas e picaretas".

    Afirmou ainda esperar que o procurador faça as alegações hoje e no máximo até terça-feira, prevendo fazer as suas quarta-feira.

    Ricardo Sá Fernandes, advogado do arguido mais mediatico, Carlos Cruz, afirmou esperar que não haja mais adiamentos das alegações finais, que deseja que sejam "tranquilas e úteis para o tribunal", acrescentando ser "provável que sejam longas".

    Dos outros intervenientes no processo que tinham chegado até às 09:50 os arguidos Jorge Ritto, Hugo Marçal e João Ferreira Diniz recusaram prestar declarações.

    A ex-provedora da Casa Pia Catalina Pestana, a primeira a chegar às instalações do tribunal, afirmou apresentar-se "com um mandato das vítimas".

    "Estou serena. Os homens e mulheres da Justiça tiveram tempo suficiente para formar a sua convicção e estou serena para ouvir o que o Ministério Público (MP) considerou provado", afirmou aos jornalistas à chegada ao tribunal.

    "É um momento solene para mim e para as vítimas, que acreditam que este julgamento vai ter fim. Estou aqui pelas vítimas e com um mandato delas", declarou, escusando-se a emitir opiniões para evitar "ruído" em torno das alegações finais.

    Catalina Pestana afirmou que os jovens da Casa Pia também quiseram estar presentes hoje no tribunal, mas que as dissuadiu de ir agora porque se vão discutir "aspectos muito técnicos".

   

    AMN/APN/FC

    Lusa/Fim


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