Ancara rejeita negociações com terroristas

Ancara rejeita negociações com terroristas

 

Lusa / AO online   Internacional   23 de Out de 2007, 12:08

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco assegurou esta terça-feira em Bagdad, que Ancara privilegia "a diplomacia e o diálogo" para solucionar a crise com os rebeldes curdos no norte do Iraque, mas rejeitou qualquer negociação com "terroristas".
“A política, o diálogo, a diplomacia, a cultura e a economia são os meios para solucionar esta crise”, declarou Ali Babacan, que hoje se deslocou a Bagdad para tentar evitar que Ancara recorra à força contra os rebeldes curdos refugiados no norte do Iraque.

Depois de um encontro com Babacan, o chefe da diplomacia iraquiana, Hoshyar Zebari, assegurou que Bagdad irá combater “a ameaça” dos rebeldes curdos.

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que luta contra o poder central de Ancara desde 1984, anunciou segunda-feira um cessar-fogo unilateral, que se manterá em vigor enquanto os combatentes do PKK não forem atacados pelo exército turco.

Ali Babacan rejeitou a proposta de cessar-fogo condicional do PKK, alegando que Ancara não negoceia com uma "organização terrorista".

"A questão do cessar-fogo envolve dois países, dois exércitos e não uma organização terrorista. O problema é um problema de terrorismo", sublinhou Babacan.

Ali Babacan deverá encontrar-se também com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, e com o Presidente iraquiano, Jalal Talabani.

A visita surge depois de Ancara ter ameaçado efectuar incursões militares no Curdistão iraquiano, que faz fronteira com a Turquia, para eliminar as bases dos membros do PKK.

O exército turco tem mais de 100 mil soldados destacados na fronteira iraco-turca desde a última Primavera.

A tensão está a inquietar Washington que teme que a intervenção turca, autorizada a 17 de Outubro pelo parlamento turco, possa desequilibrar uma das raras regiões do Iraque que tem escapado relativamente à violência.

Segunda-feira, o Presidente norte-americano, George W. Bush, falou com o homólogo turco, Abdullah Gul, para lhe assegurar que Washington está pronto para cooperar com a Turquia para combater os rebeldes curdos.

Entretanto, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, já admitiu a realização de uma operação militar conjunta da Turquia e dos Estados Unidos contra os rebeldes curdos.

O PKK, criado em 1978, lançou em 1984 a luta armada para criar um Estado curdo independente no sudeste da Anatólia e intensificou as operações depois de ter terminado unilateralmente, no final de 2006, um cessar-fogo unilateral.

Segundo um balanço oficial, o conflito já provocou mais de 37 mil mortos.
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