Açoriano Oriental
EUA/Irão
Ameaças de Trump mostram que não respeita lei internacional

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros acusou o Presidente norte-americano de não respeitar qualquer lei internacional ao ameaçar atacar alvos culturais se Teerão responder ao assassinato do general Qassem Soleimani.

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Foto: EPA/SHAWN THEW
Autor: Lusa/AO Online

Em entrevista à estação televisiva norte-americana CNN, em Teerão, Javad Zarif referiu que Donald Trump está “a mostrar à comunidade internacional que não tem qualquer respeito pelas leis internacionais e que está pronto para cometer crimes de guerra [porque] atacar alvos culturais é um crime de guerra”.

O ataque a Soleimani enquanto este estava no Iraque foi um “ato de terrorismo de Estado”, acrescentou Zarif, garantindo que o Irão irá responder.

“Isto foi um ato de agressão contra o Irão e equivale a um ataque armado contra o Irão e nós vamos responder. Mas responderemos legalmente, não somos pessoas sem lei como o Presidente Trump”, afirmou o ministro.

O general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, foi morto na sexta-feira num ataque aéreo contra o carro em que seguia ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.

No mesmo ataque morreu também o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras oito pessoas.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O Irão prometeu vingança e anunciou no domingo que deixará de respeitar os limites impostos pelo tratado nuclear assinado em 2015 com os cinco países com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas — Rússia, França, Reino Unido, China e EUA — mais a Alemanha, e que visava restringir a capacidade iraniana de desenvolvimento de armas nucleares. Os Estados Unidos abandonaram o acordo em maio de 2018.

No mesmo dia, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, avisou que os EUA poderão atacar outros líderes iranianos, se a República Islâmica retaliar pela morte do comandante da força de elite do Irão, mesmo que as retaliações aconteçam a partir dos seus aliados, como a Síria, Iémen, Líbano ou outros.

Donald Trump foi mais longe e ameaçou o Irão com “enormes represálias” caso ocorram ataques iranianos contra instalações norte-americanas no Médio Oriente, deixando também a ameaça de atacar locais culturais iranianos.

"Eles têm o direito de matar os nossos cidadãos (...) e nós não temos o direito de atingir os seus locais culturais? Isso não funciona assim", disse.

A ameaça já levou a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, a lembrar que os Estados Unidos e o Irão ratificaram duas convenções que protegem a propriedade cultural em caso de conflito e que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, adotada por unanimidade em 2017, condena atos de destruição de património cultural, mesmo em caso de conflitos militares.

Na entrevista hoje divulgada pela CNN, Javad Zarif garante que o Irão não tem medo de novas ações militares norte-americanas e lembrou que os iranianos têm “pessoas do seu lado na região”.

“Equipamento militar lindíssimo não governa o mundo, são as pessoas que o fazem. O Presidente Trump tem de acordar para a realidade e perceber que as pessoas desta região estão furiosas e querem os Estados unidos fora daqui”, afirmou.

Para o diplomata, as ameaças que Trump continua a fazer “só estão a piorar a situação dos Estados Unidos”, que devia era “pedir desculpa e alterar o seu comportamento”.

Acusando as políticas norte-americanas de “destruírem a estabilidade do Médio Oriente”, o ministro acusou os EUA de já ter “começado uma guerra há muito tempo” ao destruir a estabilidade e minar a segurança da região.

Zarif aconselhou ainda os norte-americanos a questionarem-se sobre a sua própria segurança, na sequência do ataque contra Soleimani e suas ramificações.

“Acham que [Trump] deixou os norte-americanos mais seguros? Os norte-americanos sentem-se mais seguros ou mais bem-vindos nesta região?”, questionou.


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