Açoriano nomeado presidente de multinacional americana

Açoriano nomeado presidente de multinacional americana

 

Lusa/AO online   Regional   18 de Set de 2013, 10:05

O imigrante açoriano Victor Luís toma posse no final do ano como presidente executivo da Coach, uma multinacional no mercado do luxo que emprega mais de 17 mil pessoas em todo o mundo.

“Estou a preparar-me para liderar uma empresa de cinco mil milhões de dólares e isso deve-se apenas ao meu trabalho e aos resultados que apresentei. Não tem nada a ver com quem sou ou de onde vim. Isso é algo que só a América me podia oferecer”, explicou o gestor de 46 anos.

Victor Luís chegou à Califórnia com os pais e os irmãos em 1972, quando tinha seis anos. Passados alguns meses, a família mudou-se para Rhode Island, na costa oeste, onde o pai arranjou trabalho numa fábrica de canalizações e a mãe numa de bijuteria.

Victor começou a trabalhar aos 16 anos, servindo refeições num hospital. “Mas estudei sempre muito”, disse. “Só tive a possibilidade de ir para universidade porque consegui uma bolsa para uma universidade Jesuíta, a Holy Cross, em Boston”, acrescentou.

No final da licenciatura em Ciência Política, conseguiu uma bolsa da Fundação Rotary para estudar um ano na Europa, que passou em Inglaterra.

Partiu depois para Bruxelas, onde estagiou na União Europeia, e seguiu para o Japão, onde se tornou sócio do amigo Luís Aranha na Portugal Trade Corporation, uma companhia que representava empresas portuguesas no mercado asiático.

“A experiência não correu da melhor forma”, admitiu. “Em Portugal, há um problema de escala. Como o mercado interno é tão pequeno, não há indústrias e marcas de consumo muito desenvolvidas”.

Quando vendeu a empresa, foi trabalhar na LVMH, a multinacional do mercado do luxo dona da Louis Vuitton, como diretor de marketing da Moët Hennessy Japão e, depois, como presidente da Givenchy no mesmo país.

Depois de 11 anos no país, conseguiu o lugar de presidente da Baccarat – EUA, a marca de cristais francesa, e mudou-se para Nova Iorque. Em 2006, a empresa foi vendida e teve oportunidade de entrar na Ralph Lauren e na Coach.

“As propostas eram muito semelhantes, mas tinham uma grande diferença: a família Ralph Lauren tem mais de 50% da empresa e eu sabia que depois do Ralph vinha um filho e depois outro filho. Nunca chegaria a presidente”, lembrou.

Entrou então na empresa de malas e acessórios como presidente do mercado japonês, cargo que acumulou em 2008 com o mercado chinês.

Em 2010, regressou a Nova Iorque para gerir todos os mercados internacionais e as vendas dispararam: no primeiro trimestre deste ano, tiveram um crescimento de 12%; na China, o principal mercado estrangeiro da Coach, subiram 40%.

Foram estes números que levaram à sua nomeação, anunciada em fevereiro.

Na altura, a empresa cotada em bolsa informou que o português vai receber um salário base de 1.250 milhões de dólares (950 mil euros), valor que triplica consoante os resultados da empresa e que é acrescido de prémios relativos ao desempenho em bolsa, que podem render 25 milhões de dólares (19 milhões de euros) nos próximos cinco anos.

Agora, o gestor disse que está “a aprender, a ouvir ideias, para criar uma estratégia para a empresa crescer nos próximos cinco anos.”

A nível pessoal, admitiu que já chegou “muito mais longe do que podia imaginar”.

“A realidade é que não há risco: se não tenho mais sucesso, não tenho”, explicou à agência Lusa. “No centro do meu pensamento, há uma ideia muito americana que é, na verdade, um ideal emigrante, que é o otimismo. Não tenho a mentalidade do ‘inha’, da casinha, do carrinho... Prefiro pensar que tudo é possível com muito trabalho, concentração e desejo de sucesso. E isso é o sonho americano. É o sonho do emigrante”.


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