Academia das Artes acolhe "Vaivém Norte"

Academia das Artes acolhe "Vaivém Norte"

 

Tânia Silva   Cultura e Social   22 de Ago de 2008, 16:19

“Vaivém Norte” é assim chamado o trabalho patente na Academia das Artes dos Açores, em Ponta Delgada, da autoria das jovens Maria João Pacheco e Carolina Silva, ambas naturais de Lisboa.
Os trabalhos das jovens artistas foram desenvolvidos entre Janeiro e Julho de 2008, em Lisboa, e estarão patente na Academia das Artes até 10 de Setembro.
“Vaivém Norte” constitui o culminar da primeira fase de um projecto de Residência Artística, promovido pela Academia das Artes dos Açores e que vem sendo desenvolvido desde o início de 2008.
As obras de Carolina Silva e de Maria João Pacheco traduzem a relação destas com o território Açores, sustentada nas ideias de distância e da uma concebida realidade insular.
A segunda fase deste projecto chama-se “Vaivém Sul” e acontecerá em Março de 2009 no Convento dos Capuchos, em Almada. Segundo Maria João Pacheco, esta segunda mostra será uma “continuação do projecto e terá como motivação a permanência de ambas em São Miguel” onde, ao longo deste mês de Agosto, irão ter oportunidade de fundamentar ou reinterpretar as “realidades insulares”.
Para as artistas, Vaivém “é um duplo movimento de transporte: uma viagem que reflecte a distância entre dois pontos, duas origens, e compreende sempre um regresso e uma permanência curta.”
O projecto de Residência Artística conta, entre outros, com o apoio da Direcção Regional da Cultura e Direcção Regional da Juventude e insere-se no programa anual de actividades da Academia das Artes dos Açores, sendo uma das prioridades o apoio a jovens artistas em início de carreira.
A artista Carolina Silva nasceu em 1983 em Lisboa. É licenciada em Artes Plásticas - Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e actualmente frequenta o Mestrado de Educação Artística na mesma faculdade.
A jovem artista tem participado em várias exposições colectivas, entre elas a mostra “3º andar, Segundo”, em 2004; “Reload”, em 2007, e “Pavilhão 28”, todas elas em Lisboa.
O percurso de Maria João Pacheco é muito semelhante ao de Carolina Silva. A artista nasceu em 1982 em Lisboa e é também licenciada em Artes Plásticas - Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
Presentemente frequenta o Mestrado em Filosofia - Estética na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. À semelhança de Carolina Silva, só participou em exposições colectivas, colaborando também em vários projectos, entre eles “Projectar o Rio”, “Casa Habitada” e “Pintura Lavada”.










“Estão retratados os Açores como um todo, a relação das ilhas com o arquipélago”

Fale-me dos trabalhos patentes na exposição “Vaivém Norte”?
Carolina Silva - relativamente ao meu trabalho, abordo mais a questão da paisagem e da imagem. Apresento obras em cartolina, trabalhos esmalte aquoso sobre o vidro e em tinta permanente sobre o papel.
Maria João Pacheco - apresento um conjunto de quatro desenhos em grafite sobre o papel. São trabalhos feitos a pensar sobretudo na origem vulcânica, trabalhando a ideia de tensão, em que há sempre uma forma contida e a ideia/forma de ilha, um território limitado.
Apresento também pigmentos transferíveis sobre o papel e umas gravuras em que trabalho a ideia de estereografia.
Sendo a Maria João Pacheco e a Carolina Silva duas jovens naturais de Lisboa, porque escolheram os Açores para apresentar este projecto?
Carolina Silva - Acho que se deveu a uma série de variáveis que se juntaram e que tornaram isso possível, a concretização deste projecto aqui nos Açores.
Por um lado, a questão prática, porque já havíamos trabalho juntas, anteriormente, na concepção e organização de projectos para exposições e este projecto era uma coisa que nos interessava às duas.
Por outro lado, porque tivemos conhecimento da disponibilidade da Academia das Artes dos Açores e da sua receptividade a propostas de jovens artistas. Portanto, este acolhimento já era um bom começo, porque sabíamos que podíamos fazer o projecto.
Para além dessa componente, havia também a questão de pensar em todo este projecto durante um ano e criar estas condições para a sua elaboração.
Portanto, propomo-nos fazer esse exercício, de trabalhar a partir de um referendo que não conhecemos ou que conhecemos pouco, que está distante, que é uma ilha que tem características muito próprias em termos de paisagem física, em termos de vivência, entre muitas outras coisas.
Os trabalhos presentes nesta exposição retratam os Açores ou apenas a ilha de São Miguel?
Carolina Silva - Na exposição “Vaivém Norte” estão retratados os Açores como um todo, a relação das ilhas com o arquipélago, com a própria formação com as características físicas e geográficas.
Maria João Pacheco - No fundo aborda a distância e as diferenças da ilhas em relação ao continente, muitas delas resultantes da própria situação geográfica.
Porém, ao mesmo tempo trata de uma certa familiaridade e proximidade, que engloba o país Portugal, pois partilhamos uma língua, uma cultura e temos uma série de características em comum.
Dentro dos trabalhos apresentados na exposição “Vaivém Norte”, como retratam e interpretam as “realidades insulares”?
Carolina Silva - Abordo questões relacionadas com forma e com o território, em termos físicos, de paisagem e de imagem, ou seja, que imagem é que associo a uma imagem de ilha.
Há coisas que são características e pretendo procurar esta forma ideal de ilha. Mas por outro lado procuro as especificidades que existem em cada uma das ilhas. Por outras palavras, tem a ver com esta relação de mapa e de imagem.
A forma como nós conhecemos um lugar, através das experiências e viagens e testemunhos das outras pessoas, é outro ponto que foco nos meus trabalhos. Depois, a partir daí, começamos a criar imagens.
Também fiz trabalhos a partir da palavra Açores, nomeadamente sobre a Casa dos Açores em Lisboa. Isto é, como é que os Açores são vistos como um ponto turístico, pois nem sempre é o melhor modo de conhecer um lugar.
Maria João Pacheco - Nos meus trabalhos retrato a realidade insular através da representação das características físicas, que tem a ver com a origem vulcânica do território e o que é que isso tem de efémero, pois é uma característica que tem certos perigos.
Actualmente encontram-se em São Miguel em busca de elementos para a elaboração da exposição “Vaivém Sul”, a realizar em Março de 2009, em Almada. Procuram retratar ou reinterpretar o quê, essencialmente?
Carolina Silva - Já tínhamos alguma ideias predefinidas antes de vir. Numa primeira fase procuramos conhecer tudo e definir e a partir daí definir o que nos interessava e com que objectivos, mas agora estamos numa fase de aproximação mais específica, ou seja, vamos aos sítios e já sabemos o que queremos fotografar ou procurar.
Concretamente , fomos às lagoas, porque é algo que interessa tanto a mim como à Maria João. Embora seja depois trabalhado de forma diferente. Mas gostaria também de dar um passeio de barco e ter a noção da ilha vista de fora.

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