Dias Europeus do Desenvolvimento

205 mil milhões de euros para melhorar acesso à energia


 

Lusa / AO online   Economia   8 de Nov de 2007, 10:50

O administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento estimou que serão necessários cerca de 205 mil milhões de euros por ano na próxima década para melhorar o acesso à energia por parte dos países mais pobres.
"Estes investimentos têm de ser feitos, são necessários à prosperidade dos países em vias de desenvolvimento. Mas estes investimentos têm de ter em conta as alterações climáticas. É necessário auxiliar os países com tecnologia e métodos mais limpos", declarou Kemal Dervis durante uma conferência no âmbito dos Dias Europeus do Desenvolvimento, evento que decorre até sexta-feira em Lisboa.

O responsável do Programa das Nações Unidas para o Desenvoldia (PNUD) sublinhou que a grande questão a decidir agora é a partilha de encargos, para que se crie um modelo mais justo que beneficie as necessidades das nações mais desfavorecidas.

"Há um fenómeno de grande injustiça. Cerca de 70 por cento dos gases com efeito de estufa devem-se à actividade dos países ricos, 28 por cento à actividade dos países emergentes e só dois por cento se devem aos países mais pobres", afirmou.

Para ajudar as nações em desenvolvimento a adaptar-se às alterações climáticas, Kemal Dervis diz que é necessário que os países ricos "multipliquem várias vezes" os montantes de apoio que existem actualmente.

Para o PNUD, estas verbas e transferências directas aos países em desenvolvimento servem para "financiar um bem público que é o clima".

Mas esta questão não tem sido suficientemente bem explicada aos cidadãos europeus, que devem perceber que, ao financiar projectos em países como a Índia ou o Brasil, "estão a apoiar o seu próprio futuro".

"Não se pode pedir ao Brasil que preserve a floresta tropical inteiramente com recursos seus. Trata-se de um bem público e a comunidade internacional tem de ajudar", exemplificou.

Numa tentativa de abrir um caminho para a discussão na conferência de Bali - que em Dezembro vai analisar o futuro do Protocolo de Quioto, que termina em 2012 -, Kemal Dervis avisou os países mais ricos que "têm de aceitar que uma parte significativa do encargo tem de partir deles próprios".

O alto responsável do PNUD criticou ainda os países que se aproveitam de algumas incertezas que existem ao nível científico relativamente às alterações climáticas para justificarem a sua inacção.

"Isto é absolutamente errado, até porque podemos ver-nos confrontados com catástrofes em todo o Planeta já neste século", advertiu.
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