Timor-Leste

Xanana Gusmão repete que não vai permitir "pânico" na população


 

Lusa/AOonline   Internacional   23 de Out de 2008, 11:55

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, reafirmou em Díli à Agência Lusa que não vai permitir que alguém crie “pânico” na população, referindo-se à Marcha da Paz, convocada pela Fretilin, maior partido da oposição.
“Costumam-me acusar de ditador”, explicou Xanana Gusmão quando questionado pela Lusa sobre o sentido de declarações feitas segunda-feira passada numa conferência de imprensa.

    Na altura, Xanana Gusmão, segundo a France Presse, ameaçou mandar deter todas as pessoas que participem em qualquer manifestação anti-governamental, tendo em conta o risco de desestabilização do país.

    « Vamos deter todos aqueles que participem em qualquer manifestação a bem da segurança do Estado », afirmou o primeiro-ministro, na segunda-feira.

    « É-me indiferente que me considerem ditador porque a nossa prioridade é a estabilidade e a segurança de todos os cidadãos », disse, acrescentando que não deixará « nunca o país reviver os mesmos problemas de 2006», com a crise militar e política, que levou centenas de milhares de pessoas a abandonar Díli.

    “O que disse é que respeito o direito das pessoas e das massas às demonstrações. O que me preocupa são grupos que podem provocar pânico na população e começam a fugir e a queimar coisas e a roubar coisas”, esclareceu hoje o primeiro-ministro, em declarações à Lusa à margem da primeira interpelação ao Governo, no Parlamento Nacional.

    “Isso não vou permitir”, insistiu o chefe do Governo, que é também responsável das pastas da Defesa e da Segurança.

    De resto, acrescentou Xanana Gusmão, “façam marchas todos os dias”.

    Ao mesmo tempo, Xanana Gusmão afirmou que “não há problema” com a anunciada redução de efectivos militares australianos das Forças de Estabilização Internacionais (ISF), que desde a crise de 2006 contribuem para a segurança no país.

    A Fretilin, o maior partido da oposição e vencedora das eleições legislativas de 30 de Junho de 2007, anunciou, sem marcar data, a realização de uma Marcha da Paz em todo o país, concentrando milhares de manifestantes em Díli.

    “A Marcha da Paz pretende provar mais uma vez que este Governo não tem legitimidade para governar”, repetiu na semana passada o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, em duas conferências de imprensa.

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