Walk&Talk acabou mas deixou jardim preparado para 2100

Walk&Talk acabou mas deixou jardim preparado para 2100

 

Miguel Bettencourt Mota   Cultura e Social   15 de Jul de 2018, 10:10

Declimatize. Uma proposta artística da oitava edição do Walk&Talk que se traduz num jardim plantado no Parque Urbano, em Ponta Delgada, e que promete sobreviver, pelo menos, até ao ano de 2100, fazendo face às adversidades climáticas que se adivinham para as próximas décadas.

O projeto é da autoria Sasha Pohflepp e Chris Woebken e conta com a particularidade de olhar às características do clima dos Açores, bem como à respetiva história botânica.


Para tal, a dupla de artistas convidada a participar no festival procurou o conhecimento de climatólogos portugueses, botânicos, arquitetos e historiadores.


Em São Miguel, Sasha e Chris “conversaram com Isabel Albergaria da Universidade dos Açores, que desenvolve trabalhos sobre as quintas e jardins de São Miguel, falaram também com o Diogo Correia, arquiteto paisagista, e com o Filipe Figueiredo, engenheiro florestal na SPEA”, disse a este jornal a responsável pelo programa de conhecimento do Walk&Talk.


“Tentavam perceber como é que daqui a 80 anos o clima se apresentará em São Miguel”, indicou Sofia Carolina Botelho, adiantando que a conclusão a que chegaram foi a de que “os invernos serão muito mais chuvosos, os verões mais secos e a temperatura subirá”. 


Depois, prosseguiu a também diretora artística do evento, trataram de plantar as espécies que “melhor se ajustarão” ao cenário de alterações climáticas que está previsto. 


Como tal, quem visitar aquele canteiro - localizado na entrada sul do Parque Urbano e preparado para enfrentar os novos ‘humores do clima’ em 2100 - vai poder vê-lo com plantas como “medronho, urze, festucas, loureiro e pau branco”, deu nota Sofia Carolina Botelho.


Assume-se, assim, como uma pequena amostra do que poderá ser a paisagem micaelense no dobrar do próximo século.


O projeto Declimatize incorporou o circuito de arte pública da oitava edição do festival Walk&Talk.

Este ano, o circuito acabou por ficar desenhado também com as propostas artísticas Composaz, Daniel Rourke & Luiza Prado, Navine Khan Dossos, Shift Register - Jamie Allen & Martin Howse.


A proposta curatorial foi, entretanto, estabelecida pela inglesa Dani Admiss, que “convida a olhar São Miguel, numa lógica de ilha aberta e permeável a influências, assim como ponto de passagem de várias rotas, as comerciais e mesmo as relativas aos pensamentos”, disse a diretora artística. 

 
Circuito de arte cruza ciência com a prática artística


Em grande parte do circuito de arte pública deste ano a componente científica acaba por se cruzar com a prática artística. Isso mesmo foi assumido por Sofia Carolina Botelho, que divide a direção artística do festival com Jesse James.


“Foi um desafio e nós quisemo-lo. É nosso apanágio convidar curadores diferentes todos os anos para tentar trazer novas referências ao Walk&Talk”, afirmou a responsável pelo programa de conhecimento do evento, entendendo ser essa “a melhor forma de perceber o que resulta em termos de arte pública”.



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