Vontade e inteligência para resistir

Vontade e inteligência para resistir

 

António Soares Marinho   Regional   28 de Nov de 2008, 22:59

O conjunto das “100 Maiores” registou em 2007 a entrada de dez novas empresas. A renovação
tem-se processado a um ritmo mais lento do que nos anos iniciais do século, em que as entradas atingiam um quarto deste “ranking”
As alterações decorrem de situações normais em qualquer tecido empresarial.

É de referir que algumas resultam de estratégias de grupos empresariais, de cariz privado ou público. Nuns casos com origem em fusões consideradas adequadas e noutros pela pulverização por áreas de negócios específicas. Há outras situações em que as mudanças ocorrem devido a oscilações significativas do volume de negócios de algumas empresas, em função de uma envolvente macroeconómica menos favorável ou por opções de política económica com reflexo no andamento de algumas actividades. Aliás, a análise dos valores de conjunto das "100 Maiores" é um bom elemento complementar de avaliação da própria economia açoriana.

Entre as "dez primeiras", duas novas empresas passaram a integrar o conjunto. Cinco das oito restantes revelaram uma descida de posição em relação ao ano anterior.


100 MAIORES – OS NÚMEROS DO CONJUNTO
Dada a diferente composição anual deste "ranking", a comparação dos valores obtidos ano a ano encerra algumas limitações metodológicas. Ainda assim, julgamos que vale a pena prescindir de algum rigor a esse nível, uma vez que a inclusão de aspectos de natureza evolutiva na análise permite um enriquecimento das suas conclusões.

O conjunto das "100 Maiores" atingiu em 2007 um volume de vendas de 2,269 milhões de euros, uma subida de 7.3% em relação ao valor obtido no ano anterior. Com 28 empresas a assistirem à queda dos seus negócios e outras 10 com um crescimento do volume de vendas inferior à taxa de inflação, quase dois quintos das empresas do "ranking" enfrentaram um decréscimo real do seu volume de negócios. É ainda de referir, como ponto desfavorável, que 33% das empresas asseguraram um volume de negócios inferior a 5 milhões de euros em 2007, quando quatro anos antes, curiosamente, aquela percentagem se cifrava em 30%.

O resultado líquido obtido pelo conjunto das "100 Maiores" atingiu 87 milhões de euros em 2007, revelando uma subida relativamente aos 73 milhões de euros que as "100 Maiores de 2006" tinham atingido.

Quanto aos indicadores de rentabilidade, o das vendas aumenta de 3.7% para 4%, de 2006 para 2007, mas os do capital próprio e do activo regridem de 9.3% para 9.1% e de 3.2% para 3.1%, respectivamente, mantendo-se todos distantes dos valores obtidos em anos anteriores.

O Valor Acrescentado Bruto das "100 Maiores" ascendeu a 462 milhões de euros em 2007.

Se melhora em termos globais face a 2006, verifica-se, no entanto, que o VAB por trabalhador desce de 36.8 para 36 mil euros.

No final de 2007 trabalhavam 12,844 pessoas no conjunto das empresas do "ranking", ou seja, cerca de 12% da população empregada nos Açores. Representando cerca de 2% das empresas açorianas, as "100 Maiores" continuam, assim, a dar um contributo expressivo para a variável emprego.


100 MAIORES – OS SECTORES E AS ILHAS
Os sectores do comércio e da distribuição representam 40% do total das "100". Acrescentando as empresas com actividade na área de prestação de serviços, concluímos que mais de dois terços das "100 Maiores" desenvolvem actividade no sector terciário. As agro-indústrias com 15% e as empresas do sector da construção com 10%, são os outros dois grupos relevantes.
Em termos geográficos, São Miguel aloja 90% das "100 Maiores". Seis empresas da Terceira, duas do Faial e duas de São Jorge completam o leque de ilhas abrangidas.


AS MELHORES
Nos indicadores analisados nesta publicação, as empresas com melhores comportamentos em 2007 foram: Engenheiro Luís Gomes (Crescimento do Volume de Negócios), Lactaçores – União de Cooperativas de Lacticínios dos Açores (Crescimento do Resultado Líquido), Lactaçores – União de Cooperativas de Lacticínios dos Açores (Rentabilidade dos Capitais Próprios), Bensaude (Rentabilidade do Volume de Negócios), Bensaude – Agentes de Navegação (Solvabilidade) e Urbe Oceanus – Actividades Imobiliárias Açoreanas (Produtividade).
A Cimentaçor – Cimentos dos Açores obteve o título de Melhor Empresa dos Açores.

 
A FORÇA DO TECIDO EMPRESARIAL
Foi em 2007 que a economia mundial iniciou um percurso que a conduziu para os actuais terrenos negativos. A estes, obviamente, a economia açoriana não ficou imune, devendo também ser acrescidos factores de natureza interna resultantes, designadamente, de discutíveis opções de política económica. Para as empresas açorianas, e para as "100 Maiores" em particular, foi esse o enquadramento que enfrentaram no ano transacto. Não é um acaso que explica o facto de cerca de 40% das empresas do "ranking" terem conhecido quebras reais do seu volume de negócios em 2007.

Se os efeitos não foram mais negativos, é à firmeza das empresas e dos empresários açorianos que tal se deve. Habituados a lutar contra constrangimentos naturais, também encontram forças para enfrentar conjunturas desfavoráveis e opções que não os favorecem.

O ano em que nos encontramos trará, certamente, maiores dificuldades e incerteza. Tal como até aqui, é a força do tecido empresarial açoriano que irá ser convocada.

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