Entre 2022 e 2025, foram apoiadas nos Açores 21 vítimas de violência no namoro em contexto de relação atual e 42 vítimas após o fim do relacionamento. Os números foram divulgados pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima - APAV, no âmbito do Dia dos Namorados, que se assinala amanhã.
A nível nacional, no mesmo período, a APAV apoiou 1343 vítimas enquanto havia ainda relação com a pessoa agressora, o que representa um aumento de 36,5% ao longo dos últimos anos. Após a rutura, o número sobe para 2625 vítimas, um crescimento ainda mais expressivo, de 56,8%. Os números revelam que, para muitas vítimas, a violência não termina com o fim da relação.
A maioria das vítimas apoiadas encontra-se em relacionamentos heterossexuais (93,4% na relação atual e 93% no pós-rutura) e é do sexo feminino (88,6% nos casos de violência durante a relação e 87,9% após o término). Segundo o relatório, estes dados evidenciam, a persistência da desigualdade de género e os padrões de abuso e controlo que continuam enraizados na sociedade.
A violência no namoro afeta sobretudo jovens adultos. Em contexto de relação atual, 48% das vítimas têm entre 18 e 34 anos. Dentro deste grupo, 24,2% têm entre 25 e 34 anos e 23,8% entre 18 e 24 anos. As vítimas até aos 17 anos representam 8,8% dos casos.
Nos casos de violência após a rutura, a tendência mantém-se. Cerca de 48% das vítimas têm entre 18 e 34 anos, sendo 26,1% entre os 25 e os 34 anos e 21,9% entre os 18 e os 24 anos. As vítimas até aos 17 anos correspondem a 5,6% do total.
Relativamente à denúncia, 47,3% das vítimas de violência na relação atual apresentaram queixa às autoridades. Na pós-rutura, essa percentagem sobe para 59,3% Ainda assim, uma parte significativa das vítimas opta por não denunciar, muitas vezes por medo, dependência emocional ou por se sentirem inseguras.
A violência no namoro pode assumir várias formas: desde psicológica a sexual até à perseguição e ao controlo, muitas vezes confundida como demonstrações de amor. A APAV sublinha que comportamentos controladores não são sinais de afeto, mas sim de abuso.
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