Violência leva governo a decretar estado de emergência no Chade

Violência leva governo a decretar estado de emergência no Chade

 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Out de 2007, 17:37

O governo chadiano instaurou esta terça-feira o estado de emergência por 12 dias em três regiões do norte e leste do Chade, devido à violência dos últimos dias, anunciaram fontes governamentais.
       “O governo decretou o estado de emergência por 12 dias, durante um conselho de ministros extraordinário”, disse um responsável chadiano.

    As três regiões envolvidas cobrem o conjunto do norte e do extremo leste do Chade. Tratam-se do BET (Borku, Ennedi e Tibesti) no norte, do Uaddai, onde se localiza Abéché, principal cidade do leste do país, e do Wadi Fira, onde se localiza o departamento de Dar Tama, palco nos últimos dias de violência entre as comunidades tama e zaghawa.

    “Esta medida vai permitir limitar os movimentos das populações e sobretudo vai autorizar as forças de segurança a revistar e desarmar toda a população destas regiões”, acrescentou a mesma fonte.

    A violência intercomunitária fez pelo menos 20 mortos na passada semana em Dar Tama, perto da cidade de Guéréda.

    O ministro da Defesa, o ex-chefe rebelde da Frente Unida para a Mudança (FUC) Mahamat Nour Abdelkerim, acusou segunda-feira “o séquito” do chefe de Estado, Idriss Deby Itno, de estar na origem dos confrontos.

    A FUC é composta maioritariamente por tama, enquanto numerosas personalidades que apoiam o presidente são membros da comunidade zaghawa, de que é originária o próprio chefe de Estado.

    Ex-rebeldes da FUC “descontentes” abandonaram entretanto, na passada semana, a cidade de Guéréda, onde aguardavam ser integrados no exército, no âmbito do acordo de paz assinado em Dezembro de 2006, dirigindo-se para a fronteira com o Sudão.

    O ministro Mahamat Nour garantiu segunda-feira que não tinha “qualquer problema” com o presidente Deby e que iam “resolver” rapidamente esta “situação”.

    Entretanto, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, saudou hoje, em Bruxelas, a decisão “muito positiva” da União Europeia de enviar uma força militar para o leste do Chade e o nordeste da República Centro-Africana.

    “A força europeia dará uma contribuição muito positiva a esta região” agitada, limítrofe da província sudanesa de Darfur, sublinhou Guterres, antes de se reunir com os representantes dos 27 encarregados de dirigir a planificação da operação Eufor Chade-RCA, que obteve o aval da ONU.

    Pelo menos 2.500 soldados europeus, entre os quais 1.500 franceses, 350 irlandeses, 350 polacos, perto de 200 suecos e uma centena de belgas, estarão envolvidos na operação de apoio dos 300 polícias enviados pela ONU e protegerão os campos de refugiados e deslocados.

    “Não é uma operação clássica de manutenção da paz, mas sim uma operação visando garantir a segurança de um espaço humanitário”, referiu Guterres.

    Segundo a ONU, cerca de 236.000 refugiados de Darfur estão no Chade e 173.000 chadianos foram deslocados pelos conflitos.

    Além disso, perto de 45.000 centro-africanos procuraram refúgio no sul do Chade, adiantou o Alto Comissário.

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