Vice-presidente do PSD Castro Almeida demite-se, segunda baixa na direção de Rio


 

AO Online/ Lusa   Nacional   7 de Jul de 2019, 20:49

O vice-presidente do PSD Manuel Castro Almeida demitiu-se do cargo no final de junho, noticiou hoje o jornal Público, e o seu substituto deverá ser conhecido até final do mês, confirmou à Lusa fonte próxima da direção.

“Formalizei a minha demissão no passado dia 19 de junho em conversa com o presidente [do PSD, Rui Rio] e, no dia 20, formalizei a minha renúncia por escrito”, disse ao Público Castro Almeida, numa notícia publicada ao final da tarde na edição 'online' do jornal.

A Lusa tentou contactar Manuel Castro Almeida, sem sucesso, tal como o gabinete de imprensa do PSD.

O jornal Público já tinha noticiado hoje que Castro Almeida manifestara, por diversas vezes, ao presidente do PSD, Rui Rio, o seu descontentamento com o rumo do partido, antes até das eleições europeias de 26 de maio.

Fonte próxima da direção do PSD disse à Lusa que o antigo autarca deixou de comparecer às reuniões da Comissão Permanente e da Comissão Política Nacional há cerca de um mês e que, perante esta situação “insustentável”, foi proposto a Castro Almeida que fosse feita a sua substituição de uma forma menos prejudicial ao partido a três meses das eleições.

No entanto, segundo a mesma fonte, a resposta a esta proposta "coincidiu" com a publicação da notícia de hoje no jornal Público, pelo que o ex-vice-presidente deverá ser substituído em breve, embora qualquer novo nome da equipa dirigente social-democrata tenha de ser ratificado em Conselho Nacional, que ocorrerá no final de julho.

Manuel Castro Almeida era um dos seis vice-presidentes de Rui Rio, a par de David Justino, Elina Fraga, Isabel Meirelles, Nuno Morais Sarmento e Salvador Malheiro.

Esta é a segunda baixa na direção de Rui Rio desde a sua eleição em Congresso em fevereiro de 2018, mas a primeira a dever-se a divergências políticas.

Apenas um mês depois do Congresso, o então secretário-geral do PSD, Feliciano Barreiras Duarte, demitiu-se, depois de notícias relacionadas com irregularidades na sua licenciatura e dúvidas sobre subsídios que recebia enquanto deputado.

Manuel Castro Almeida foi presidente da Câmara de São João da Madeira (Aveiro) entre 2001 e 2013 e secretário de Estado do Desenvolvimento Regional no anterior Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

Na direção de Rui Rio, assinou em representação do PSD um acordo com o Governo sobre fundos comunitários, cujo objetivo era que Portugal não perdesse fundos no próximo quadro europeu.

No seu comentário semanal, na SIC, o ex-líder do PSD Luís Marques Mendes - próximo de Castro Almeida - disse não ter falado com o antigo autarca antes da sua demissão e não conhecer ainda “as verdadeiras razões” da saída, afirmando ter sabido da notícia pela comunicação social.

Ainda assim, classificou a saída de Castro Almeida como “um ato de coragem” – dizendo ser precisa mais coragem para sair do que para ficar, quando se discorda – e considerou que devem ter sido “razões muito fortes”, apontando a relação “muito longa pessoal e política” que o antigo autarca tinha com Rui Rio.

Na rede social Facebook, durante a tarde, a presidente das Mulheres Sociais-Democratas, Lina Lopes, tinha classificado a demissão de Castro Almeida como “um frete ao arauto dominical das desgraças do PSD”.

“Esta demissão é a salvação de última hora para o comentador que, de outra forma, não poderia deixar de se limitar a elogiar o rasgo e a coragem demonstradas por Rui Rio nas nomeações para cabeças de lista do PSD”, escreveu Lina Lopes, numa referência implícita a Marques Mendes, verbalizando uma crítica repetida à Lusa por outros dirigentes sociais-democratas que não quiseram ser identificados.

A notícia da demissão de Castro Almeida é conhecida no final de uma semana em que Rui Rio anunciou os primeiros dez cabeças de lista do PSD às legislativas – nomes inéditos para os círculos de Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Coimbra, Leiria, Beja, Castelo Branco, Setúbal e Santarém – e revelou o cenário macroeconómico que enquadra o programa eleitoral do partido, que prevê uma redução de 3,7 mil milhões de euros na carga fiscal na próxima legislatura.

Em fevereiro, numa entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, Manuel Castro Almeida afirmava que, se os sociais-democratas não vencerem as próximas legislativas, será por “culpa própria” e por incompetência.

“O cenário em que trabalho é o cenário em que o PSD vai vencer. Está ao nosso alcance. (…) Depende de nós. Se não o fizermos é porque somos incompetentes. Se o PSD não ganhar as eleições é por culpa própria, porque o Governo está a fazer o necessário para as perder. O Governo enganou-se no ciclo político (…) e está em ciclo descendente”, afirmou então.



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