Com apenas 19 anos, o piloto da ilha do Faial é uma das grandes esperanças dos ralis açorianos e nacionais. Cresceu no meio dos ralis, com os seus pais Marco e Tânia Silva e com poucas provas ainda realizadas ao volante de um Peugeot 208 Rally4, já mostrou que é capaz de andar na luta com os melhores entre as duas rodas motrizes.
Gustavo Silva não tem medo de andar depressa: “se até os campeões mundiais batem, porque é que não haveremos de bater”, afirma. E quando questionado sobre qual dos comandos e funções é o mais importante no carro, o jovem piloto não hesita: “é o acelerador, porque sem ele não conseguimos os tempos que pretendemos ter”!
O próximo desafio deste jovem piloto de ralis faialense está já ao virar da esquina. Aproveitando a desistência de um piloto, Gustavo Silva vai integrar este ano o FPAK Júnior Team, a mesma competição promotora da nova geração dos ralis nacionais que lançou a carreira de outra jovem promessa açoriana, Pedro Câmara Jr.
A estreia está marcada já para amanhã, 29 maio, no Rally de Lisboa, com um Peugeot 208 Rally6, um carro de iniciação nos ralis. Também de iniciação foi o Citroën Saxo Cup com que apenas há um ano atrás Gustavo Silva fez a sua estreia absoluta nos ralis.
Foi na sua terra natal, no Faial, no Rali Ilha Azul - Cidade Mar. “Não chegámos ao fim, mas foi um rali onde conseguimos bons tempos com um carro normal, com tudo de origem e onde foi possível começar a ter a noção do que conseguia fazer nos ralis”, recorda o piloto. Gustavo Silva, a exemplo de outros pilotos, quase se pode dizer que nasceu no meio dos ralis. Desde muito novo, “foi muito fácil interagir com os ralis, porque eu ia atrás dos meus pais para todos os ralis e ver o meu pai correr deu-me a ambição de fazer ralis”, revela Gustavo Silva.
Também era usual o pai, Marco Silva, levar o pequeno Gustavo a dar voltas no seu carro de ralis, pelo que o agora piloto não tem dúvidas em afirmar, numa altura em que se lança nos ralis nacionais, “que os meus pais fizeram bem o seu trabalho”.
No Faial, Gustavo Silva reconhece não ser fácil lançar uma carreira nos ralis, porque para correr é preciso dinheiro, que vem através de patrocínios ou do próprio bolso. Mas conforme reconhece o jovem piloto, “numa ilha pequena é mais complicado, porque não temos as empresas que existem no continente”.
Apesar da estreia no Citroën Saxo Cup, foi num bastante mais evoluído Peugeot 208 Rally4 que Gustavo Silva fez as últimas quatro provas em que participou e obteve mesmo a sua melhor classificação até agora no Campeonato dos Açores de Ralis (CAR), com um terceiro lugar à geral, segundo nas duas rodas motrizes, no Rali da Praia, disputado no passado mês de abril.
O Peugeot 208 Rally4, afirma Gustavo Silva, “é um carro de última geração e que torna mais fácil batermos os nossos tempos anteriores nas classificativas”. Sobre a pilotagem e as qualidades do Peugeot 208 Rally4, Gustavo Silva salienta “o binário, porque é um carro que não nega nenhuma mudança, não é preciso andar a reduzir para ter força e como tem um motor turbo, é muito fácil sair das curvas e o carro está sempre lá com alma para nos ajudar”.
Numa altura em que experimenta dar o salto para correr no continente, Gustavo Silva continua ainda assim a acreditar no futuro dos ralis nos Açores. “Porque há sempre alguém que tem aquele ‘bichinho’ dos ralis”, garante. Isto apesar de Gustavo Silva lamentar o aumento de custos para fazer o regional, uma vez que “com mais ralis, para quem não tiver um sustento, é muito difícil fazer ralis nos Açores e transportar os carros de ilha em ilha”. Um custo logístico que não se coloca no continente, onde os carros se deslocam por terra, de norte a sul do país.
E apesar do potencial que já demonstrou em apenas um ano nos ralis, Gustavo Silva afirma ter “os pés bem assentes no chão” quanto ao seu futuro. Mas não esconde que “se conseguíssemos fazer vida disto” seria um sonho concretizado.
“Por
mim, ia até ao Mundial de Ralis, se conseguisse”, conclui, com um
sorriso nos lábios. O mesmo sorriso com que, de novo com os pés na
terra, garante que “fazer o CAR já é bom para mim”.
