Venda direta da SATA pode atrair propostas “mais vantajosas”

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) considerou que a venda direta da SATA, com o Governo Regional a assumir o passivo, pode trazer propostas “vantajosas” para os Açores



Gualter Couto, em declarações à agência Lusa, afirmou que, uma vez que levantaram o caderno de encargos do concurso de privatização da Azores Airlines cerca de 20 empresas, e perante “novas condições”, com o Governo Regional a assumir o passivo, “podem estar interessados em apresentar propostas muito mais vantajosas para os Açores”.

Em janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines, num relatório intercalar, propôs a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda os interesses” da SATA e da região, segundo uma nota de imprensa divulgada, na altura.

O líder da CCIPD reiterou à Lusa, que, tal como há nove meses, quando a direção do organismo tomou posse, e quando o Governo dos Açores “alterou as regras de jogo ao assumir o passivo da SATA, fazia sentido ter-se colocado abaixo o concurso e começar de novo”.

“Não foi esse o entendimento. Já se passaram mais nove meses e, neste momento, ficamos a saber que o único candidato que estava no processo de privatização alterou ainda algumas das condições das regras de jogo [caderno de encargos] e o júri é claro ao chumbar. A partir do momento em que o júri chumba a proposta, para nós, isso é um não assunto”, afirmou Gualter Couto.

Este responsável considerou que há que “passar à segunda fase”, de negociação direta, e “esperar que o próximo ‘player’ seja importante para estar à frente do grupo SATA” e que “não pese muito nas contas públicas da região”.

O consórcio Atlantic Connect Group apresentou a 24 de novembro de 2025 uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi aceite pela Comissão Europeia.

Após o "chumbo" do júri do concurso, o empresário Carlos Tavares, do consórcio Atlantic Connect Group, considerou que o “ponto essencial” para compra da Azores Airlines é a assunção do passivo pela região, sob pena de não haver negócio.

Em entrevista à Lusa, Carlos Tavares considerou esta condição “sine qua non”.

Na RTP/Açores, na segunda-feira, o presidente do conselho de administração da SATA, Tiago Santos, considerou que a proposta do consórcio "não serve os interesses" do grupo, dos açorianos e do Governo Regional.

Em junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de controlo (51%).

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