Aumento da temperatura do mar no grupo Oriental dos Açores em 2025 foi o segundo mais alto desde 1941

Os Açores registaram um aumento da temperatura do ar e do mar, em 2025, sendo que, na proximidade do grupo Oriental, a diferença da temperatura do mar foi a segunda mais elevada desde 1941.



“Na proximidade de São Miguel e Santa Maria, a anomalia para 2025 foi de +0,7°C [graus celsius]; tendo sido a segunda mais elevada registada desde 1941, faz parte do período mais recente de nove anos consecutivos de desvios positivos desta variável, e no qual se incluem os quatro maiores desvios da série (2024, 2025, 2023 e 2018)”, lê-se no Boletim Climatológico do Ano de 2025 da Região Autónoma dos Açores, divulgado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Segundo o boletim, em comparação com o período de referência de 1991 a 2020, em 2025 a temperatura da superfície da água do mar nos Açores apresentou uma subida de 0,5 graus celsius, com uma margem de erro de 0,5.

A temperatura média anual do ar na região apresentou uma subida nos mesmos valores.

Em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a temperatura média do ar a dois metros, em 2025, apresentou uma subida face ao período de referência de 0,4°C.

“Sendo a sexta anomalia positiva mais elevada desde 1941, inclui-se no mais recente período de nove anos de desvios positivos desta variável e no qual se incluem as três mais elevadas (2024, 2023 e 2021)”, lê-se no boletim.

As temperaturas médias anuais do ar nos Açores registaram igualmente uma subida, no período entre 2000 e 2025.

Nas ilhas do grupo Ocidental (Flores e Corvo), o desvio foi de 0,2ºC, nas ilhas do grupo Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Faial e Pico) entre 0,1 e 0,5ºC e nas ilhas do grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria) entre 0,2 e 0,6ºC.

O valor da temperatura média diária do ar variou entre os 17,4°C, registados na estação do Nordeste, em São Miguel, e os 18,7°C, registados no Faial.

A temperatura mínima mais baixa foi 5,2°C, observada no dia 27 de fevereiro nas Flores, e a máxima mais alta foi 31,21°C, observada no dia  6 de agosto no Faial.

Quanto à precipitação, a média diária registou igualmente uma subida de 0,5 graus celsius, com uma margem de erro de 0,5, relativamente ao período entre 1991 e 2020.

Os desvios relativos no período entre 2000 e 2025 foram “pouco significativos ou mesmo residuais”.

Nas estações das Flores, do Faial, de São Miguel (Ponta Delgada) e de Santa Maria, os desvios foram negativos.

O maior desvio relativo positivo ocorreu na estação do Nordeste, em São Miguel, com um aumento de 56%. Em sentido contrário, Santa Maria registou uma diminuição de 4%.

Em 2025, o valor mais elevado dos totais anuais de precipitação foi observado na estação das Flores (1.835,4 milímetros) e o valor mais baixo na estação de Ponta Delgada, em São Miguel (833,2 milímetros), ainda que não sejam apresentados dados das estações do Nordeste, Faial, Graciosa e Santa Maria.

A precipitação máxima diária foi registada no dia 20 de fevereiro, na estação do Nordeste, em São Miguel (92,8 milímetros).

Em 2025, “o Anticiclone Subtropical do Atlântico Norte esteve em média centrado a sudoeste dos Açores com o seu eixo maior aproximadamente orientado na direção sudoeste-nordeste, estendendo-se sobre a Península Ibérica em direção à Europa”.

O boletim refere quatro depressões e um ciclone pós-tropical que afetaram o arquipélago neste ano.

Em janeiro, a passagem da depressão Garoe, de 17 a 21, provocou “alguns episódios de vento muito forte”, especialmente nas ilhas dos grupos Central e Oriental, registando-se uma rajada de 122 quilómetros por hora no Faial, no dia 20.

Verificaram-se ainda alguns episódios de precipitação elevada, com um total diário de 50,1 milímetros, no dia 20, na estação do Nordeste, em São Miguel.

Em março, passaram a norte do arquipélago três depressões (Konrad, Laurence e Martinho), que contribuíram para episódios de precipitação, vento e agitação marítima forte.

Na depressão Konrad, entre 10 e 14 de março, foi registada uma rajada de 134 quilómetros por hora no Faial e mais de 47 milímetros de precipitação total diária no Corvo.

De 14 a 18 de março, a depressão Laurence, provocou uma rajada máxima de 108 quilómetros por hora em São Miguel e um total diário de precipitação superior a 58 milímetros na mesma ilha.

Já a depressão Martinho, entre 14 e 22 de março, provocou uma rajada máxima de 100 quilómetros por hora em São Miguel.

Em setembro, os Açores foram ainda fustigados pela passagem do ciclone pós-tropical Gabrielle, que causou, especialmente no dia 26 e nas ilhas do grupo Central e Oriental, vento e precipitação forte.

No Faial, foi registada uma rajada de 154 quilómetros por hora e na Graciosa um total diário de precipitação de 60 milímetros.


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