“Vamos continuar com as ações de luta”

A CGTP-IN nos Açores vai, neste novo ano, dar continuidade às ações de luta por melhores condições de trabalho. Um dos desafios é inverter a destruição de riqueza



Este novo ano vai ser marcado pela continuação das lutas de 2025 e com um “mês de janeiro com algumas novidades no palco nacional que também se vão refletir no plano regional, da luta contra o pacote laboral”, disse Rui Teixeira, coordenador da CGTP-In nos Açores.

Ao Açoriano Oriental, o dirigente sindical enalteceu que o final de 2025 “foi com uma enorme greve geral que já vinha na sequência de outras ações de luta e nos diz que os trabalhadores não estão a aceitar a revisão do pacote laboral porque vem dar uma machadada ainda maior naqueles que são os mecanismos de negociação coletiva, dificultando, sobretudo, a parte mais fraca, que é o trabalhador e também quem os representa, neste caso os sindicatos”. Por isso “temos sentido uma grande necessidade de aprofundar a negociação coletiva”. Por outro lado, a CGTP-In nos Açores tem vindo a observar “dificuldades crescentes em conseguir negociação coletiva que melhore as condições de vida para quem trabalha nas empresas e que faça uma distribuição mais justa da riqueza”.

Desta forma, um grande desafio de 2026 será “invertemos uma lógica de distribuição na riqueza, priorizado o trabalhador - quem é essencial para a economia -, sem esquecer as outras partes, nomeadamente os pequenos e médios empresários, os agricultores e pescadores. Portanto, sem esquecer todos esses grupos sociais, que são também fundamentais para a economia”.

Questionado sobre quais irão ser os setores mais desafiantes neste novo ano, o coordenador da CGTP-In nos Açores refere que, nos últimos tempos, os níveis de pobreza têm-se estendido a diversas áreas: “o que temos assistido é que os patamares de pobreza têm-se alargado a setores onde não existiam e, sobretudo, por situações de fragilidade crescente e por pressões sobre os trabalhadores”, afirmou. Acrescenta que “já aproveitando um pacote laboral que não está aprovado, tem-se sentido muita pressão em setores de atividade onde poderia existir algum alívio daquilo que eram as despesas”. Assim, “é muito difícil dizer que essas dificuldades, não se vão alastrar, cada vez mais, a grupos sociais e a mais trabalhadores”. O dirigente sindical recorda que há alguns setores que, “pela natureza da atividade e pelo histórico que têm, vão sentir mais a continuação dessa realidade”. 

Por outro lado, embora “notando fatores contraditórios, porque perante aquilo que é falta de mão de obra - e costuma-se dizer que a lei da oferta e da procura regula tudo - curiosamente temos visto que não regula corretamente”, isto porque, havendo falta de mão de obra, “era de esperar que os salários subissem para atrair essa mão de obra”.
Rui Teixeira afirma que há entidades patronais que perspetivando as dificuldades em responder à falta de mão de obra, “oferecem salários que são mais apelativos e atraem para si a mão de obra que falta a outros”, alertando que “esta é que é a questão central. É que, sem aumentar salários, não vamos resolver o problema da falta de mão de obra e não vamos resolver os défices estruturais da Região”.

Naquilo que são as preocupações dos trabalhadores, o dirigente sindical adianta que “o que nos transmitam é, sobretudo, a concretização dos projetos de vida. Falamos de jovens trabalhadores que querem ter estabilidade, comprar casa, formar família e encontrar um emprego com um salário que lhe permita viver com dignidade”. Ou seja, “o conceito e a faixa do que se considera jovem trabalhador tem-se alargado”. E diz  ainda que “com o adiamento da formação de famílias, existem jovens trabalhadores que vão até aos 40 anos porque ainda não começaram o seu projeto de vida”.

O que a central sindical tem notado é “para outros grupos etários as dificuldades são grandes, porque tínhamos presente uma realidade histórica em que os pais ajudavam os filhos naquilo que era a sua fase inicial, e o que vemos neste momento é que os pais que trabalham não têm rendimentos de sobra no fim do mês para poderem ajudar os filhos”. Aliás, muitas vezes “têm que se juntar todos - ou vender uma casa ou fazer outro tipo de sacrifícios - para poderem fazer face às despesas mensais”. De acordo com Rui Teixeira este é um problema que tem sido crescente e “não prevemos que 2026 tenha, tanto a nível de Governo da República como do Governo da Região, alguma perspetiva de inversão”.

Desta forma, terão de ser os trabalhadores a “obrigarem a inverter esta questão, precisamente com ações de luta, sejam setoriais ou sindicato a sindicato, sejam ações de luta que agreguem todas, como foi o caso da greve geral do passado dia 11 de dezembro”.

PUB

O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) nos Açores alertou para o “abandono silencioso” da PSP na região, sublinhando o “défice crónico” de efetivos e a “gritante disparidade de prioridades políticas na gestão da segurança pública em Portugal”