Imobiliário

Valorização das casas "em clara desaceleração" no segundo trimestre

 Valorização das casas "em clara desaceleração" no segundo trimestre

 

Lusa/AOonline   Economia   6 de Out de 2008, 18:41

O valor das habitações em Portugal subiu 0,4 por cento no segundo trimestre, uma "clara desaceleração" face aos 2,3 por cento registados nos três primeiros meses do ano, indicam dados do Índice Confidencial Imobiliário.
"Trimestralmente o índice subiu 0,4 por cento mas em clara desaceleração com o que se verificou em Março, que foi de 2,3 por cento. Um índice que acompanha valores de oferta tem uma resistência grande a descer, e o facto de ele ter sinais de descida é sinal de que os proprietários têm uma consciência grande de que o mercado vai forçar em queda o valor das suas casas", disse à Lusa o director da revista Confidencial Imobiliário, Ricardo Guimarães.

    O Índice Confidencial Imobiliário (ICI) utiliza como amostra a base de dados do site imobiliário lardoceLar.com, que reúne a oferta de mais de 450 mil fogos de 1.400 empresas de mediação e promoção imobiliária.

    Por meses, o mês de Julho registou uma aceleração de 0,4 por cento, contrariando uma descida de 0,4 por cento no mês anterior. Já em Janeiro deste ano o índice também tinha descido 0,3 por cento.

    Quanto à valorização média anual (que compara a variação média dos últimos 12 meses com os 12 meses anteriores), atingiu no mês de Julho os 2,5 por cento, mais 0,21 pontos percentuais que os 2,29 registados em Junho.

    "A performance do índice comprova o momento de incerteza quanto à forma como o mercado está a reagir às dificuldades espelhadas em vários indicadores relacionados com o mercado residencial", indica uma nota de imprensa da Confidencial Imobiliário.

    "Os proprietários têm a noção de que vão ter de fazer algum ajustamento para poder vender a casa. Há muita gente com a casa à venda mas que não precisa mesmo de vender - só quem de facto tem compromissos é que precisa de vender e baixa o preço - mas quem não tem [necessidade imediata] adia para não perder dinheiro. Por isso o índice não baixa muito", explicou Ricardo Guimarães.

    De acordo com o ICI, "o fosso entre o ritmo de valorização do mercado de fogos novos e o do mercado dos fogos usados tem vindo a acentuar-se, travando a tendência de convergência registada até Março".

    Em Julho os alojamentos usados alcançaram uma valorização média anual de 2,1 por cento, contra os 3,0 por cento dos fogos novos.

    "Em termos trimestrais os fogos novos tiveram uma subida de 1,0 por cento, o que face aos 2,5 e aos 4 por cento que se verificaram em Abril indica que há uma clara desaceleração", explicou Ricardo Guimarães.

    "Em relação aos fogos usados houve mesmo uma descida de 0,1 por cento em termos trimestrais", acrescentou a mesma fonte.

    Como "a análise trimestral é menos volátil", indicou Ricardo Guimarães, "uma descida a nível trimestral não é um acontecimento tão frequente quanto isso".

    Numa análise regional, o diferencial entre fogos novos e usados tem maior expressão na Área Metropolitana do Porto, com as residências novas a atingirem uma taxa méda anual de valorização de 6,5 por cento contra os 1,4 por cento nos alojamentos usados.

    Por outro lado, a região do Algarve atravessa um período de maior volatilidade, mas com uma fase de recuperação no mercado dos fogos novos.

    "Depois de um ano 2007 com taxas de variação negativas, esse segmento atingiu em Julho os 3,2 por cento de variação média anual. No caso do mercado de usados, a valorização média anual é de 9,4 por cento, a mais alta de todas as regiões do Continente", indica a nota do ICI.

    "No total, o mercado do Algarve regista uma valorização média anual de 6,7 por cento em Julho", sublinha.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.