Ensino Superior

Universidade Aberta primeiro estabelecimento de ensino português totalmente virtual


 

Lusa/AO   Nacional   6 de Nov de 2007, 07:57

A Universidade Aberta vai ser o primeiro estabelecimento de ensino totalmente virtual em Portugal, prevendo-se que no próximo ano lectivo todas as licenciaturas e mestrados sejam ministrados por via electrónica, sem que os alunos precisem de sair de casa.
A Universidade Aberta (UA), fundada em 1988, sempre se caracterizou pelo método de ensino à distância, através de materiais multimédia, mas há alguns anos começou a adaptar-se ao ensino on-line, através de plataformas na Internet, e actualmente conta já com cinco das suas 20 licenciaturas e todos os mestrados a serem leccionados segundo este modelo.

    "A universidade de ensino à distância evoluiu drasticamente nos últimos dez anos, sobretudo no e-learning, com o progressivo abandono de outro tipo de ensino à distância", contou à Lusa Carlos Reis, reitor da UA, afirmando querer tirar o maior partido possível das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) em ambiente electrónico.

    Contudo, faltava ainda um modelo pedagógico para que os professores e os alunos tivessem claras regras do jogo.

    "O e-learning constitui uma possibilidade de ensino com enorme potencialidade, mas é preciso saber lidar com ele", pelo que professores e funcionários estão a receber formação para trabalhar on-line. Os estudantes por sua vez têm que ter uma ligação em banda larga e saber manejar ferramentas electrónicas.

    Através de uma chave de acesso, os alunos acedem à plataforma electrónica na zona do seu curso e disciplina específica, e levam a cabo as actividades, orientados por professores que vão interagindo com toda a gente, explicou.

    Os professores, apesar de ausentes fisicamente, acabam por estar presentes, 24 horas por dia, sete dias por semana, e trabalham com turmas de 25 alunos.

    "Não pode ser muita gente porque a interacção é mais activa e frequente do que a presencial e à distância, porque os professores têm que estar sempre presentes", considerou o reitor.

    Apesar de ser uma classe virtual, a avaliação é muito rigorosa e passa por provas presenciais, a par de um conjunto de outras de avaliação contínua on-line.

    A prova presencial serve também para verificar a autoria dos trabalhos feitos on-line e a identidade do aluno, de forma a evitar fraudes.

    Para Carlos Reis, a UA deu um "enorme salto qualitativo", com a introdução do e-learning, tendo já os 15 mestrados e cinco licenciaturas adaptados a este método.

    Antes do início do primeiro semestre lectivo, os alunos foram familiarizados via on-line, com um módulo de ambientação, acrescentou.

    A partir do próximo ano lectivo, as restantes licenciaturas deverão já estar todas adaptadas ao ensino on-line e em dois três anos, o objectivo é que a universidade seja totalmente virtual, o que só não é possível para já, porque ainda há muitos alunos que se inscreveram no anterior quadro pedagógico.

    O reitor faz um balanço "muito positivo" desta mudança, adiantando que "ao princípio o acesso foi aos milhares, tendo sido necessário ampliar a resposta técnica dos servidores e da plataforma".

    "Professores e alunos manifestaram enorme apetência, fizeram muitas perguntas, e revelaram uma atitude quase fascinada por este tipo de aprendizagem, que tem também uma componente lúdica e de aprendizagem de grupo", disse, acrescentando que por ser um método de ensino através de Internet, os alunos portugueses formam grupos de trabalho com colegas de outros países.

    Algumas universidades em Portugal, como a do Minho por exemplo, ministram cursos em e-learning, mas a UA é a única a trabalhar sistematicamente neste sistema.

    Mesmo a nível internacional, este modelo de ensino não está muito implantado. Países como o Canadá, os Estados Unidos, a Holanda ou a Espanha têm universidades totalmente virtuais, mas a maioria não.

    Segundo Carlos Reis, "o e-learning tem tido boa aceitação e vai aumentar exponencialmente nos próximos anos, porque dá condições de trabalho extremamente favoráveis e muito cómodas: a pessoa trabalha em casa, mas acompanhada".

    A título de exemplo, o reitor refere a "forma espantosa" como aumentou a procura de mestrados por e-learning: de um ano para o outro o mestrado em Estudos Portugueses Interdisciplinares passou de 12 alunos, da região de Lisboa, para 41, de várias partes do mundo, e o mestrado em Supervisão Pedagógica teve este ano lectivo quase 200 candidatos.

    A aplicação e disseminação do e-learning no ensino superior português é precisamente o tema de um colóquio luso-brasileiro organizado pela Universidade Aberta que termina hoje em Lisboa.

    Também o Congresso da Associação Europeia de Ensino à Distância terá lugar esta semana, na quinta-feira, em Lisboa, no âmbito da Presidência Portuguesa da UE.

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