União Europeia quer criação rápida de Banco de Combustíveis Nucleares


 

Lusa/AO Online   Internacional   9 de Dez de 2008, 15:02

A União Europeia defende a criação de um banco de combustíveis nucleares "antes da próxima conferência de revisão do Tratado de Não-proliferação Nuclear (TNPN)", em 2010, disse hoje em Bruxelas o chefe da diplomacia dos 27, Javier Solana.
  "Queremos que esse banco seja criado muito em breve, em qualquer caso antes da reunião sobre o TNPN, na primavera de 2010", afirmou Solana durante uma conferência sobre desarmamento nuclear.

    O Banco de Combustíveis Nucleares reuniria materiais destinados a utilizações civis da energia atómica, colocando-os de forma controlada, sob alçada da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), à disposição de todos os países com programas energéticos nucleares.

    Para Javier Solana, a concretização do projecto, em discussão há já alguns anos, "influenciaria positivamente o clima geral da conferência de revisão do TNPN".

    O tratado de não-proliferação foi assinado em 1968 e entrou em vigor em 1970, mas tem sido repetidamente fragilizado, nomeadamente devido aos diferendos internacionais sobre os programas nucleares da Coreia do Norte e do Irão.

    Durante uma reunião realizada segunda-feira em Bruxelas, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE aprovaram uma dotação de 25 milhões de euros para financiamento do banco de combustíveis nucleares, sob condição de os critérios da sua criação serem previamente aprovados pelo conselho de governadores da AIEA.

    Entretanto, o director-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, já saudou a iniciativa da UE, considerando que o banco representará "a primeira etapa do caminho para a multilateralização do ciclo dos combustíveis nucleares", que hoje é controlado por um número restrito de países.

    De acordo com ElBaradei, o banco "poderia garantir o fornecimento de combustíveis nucleares e a manutenção de reactores a Estados de boa fé, protegendo esses Estados da interrupção de programas nucleares civis por motivos políticos, ao mesmo tempo que minimizaria o risco de proliferação nuclear militar".

    O director-geral da AIEA salientou ainda a "dinâmica favorável" à criação do banco e, consequentemente, a um "enquadramento mais equitativo" da utilização da energia nuclear, que representam propostas sobre o assunto feitas também fora da União Europeia, por países como a Noruega, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.


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