Médio Oriente

Guterres pede reabertura das passagens de fronteira para Gaza

O secretário-geral da ONU pediu a reabertura "o mais rápido possível" dos pontos de passagem para Gaza, após o bloqueio israelita anunciado no sábado, que já está a ter "impacto humanitário", afirmou o porta-voz de António Guterres



"Dada a capacidade de armazenamento limitada e a destruição em toda esta zona de guerra, nós e os nossos parceiros estamos a trabalhar arduamente para manter um fluxo de abastecimento sustentável e previsível, apesar das restrições, mas isso não pode continuar com um bloqueio total. É imperativo que todos os pontos de passagem sejam reabertos o mais rapidamente possível", instou Stéphane Dujarric, em declarações à imprensa.

No sábado, Israel anunciou, como medida de segurança, o encerramento dos pontos de passagem para Gaza, incluindo a passagem de Rafah entre o Egito e o território palestiniano, após o início dos ataques americanos e israelitas contra o Irão, seguido por represálias iranianas.

"As autoridades israelitas fecharam todos os pontos de passagem, incluindo Rafah", insistiu Stéphane Dujarric.

Também "suspenderam as operações humanitárias dentro e ao redor das áreas onde as tropas israelitas ainda estão posicionadas em Gaza", observou, mencionando ainda o adiamento da rotação de equipas humanitárias, evacuações médicas e o retorno de refugiados ao território.

"Nos últimos dias, os nossos parceiros foram forçados a racionar combustível, priorizar operações para salvar vidas, reduzindo as nossas capacidades ao mesmo tempo em que os nossos ‘stocks’ diminuem", lamentou o porta-voz de Guterres.

Por sua vez, o COGAT, órgão do exército israelita responsável por assuntos civis nos territórios palestinianos, declarou hoje que reabrirá as passagens para a Faixa de Gaza, fechadas desde sábado, "quando a situação de segurança permitir", argumentando que a guerra com o Irão coloca em risco a vida do pessoal que administra os pontos de acesso.

A agência declarou em comunicado que a medida, que também afeta os postos de controlo na Cisjordânia ocupada, foi tomada em conformidade com o estado de emergência nacional declarado devido à ameaça de mísseis no contexto do conflito em curso.

Segundo o COGAT, as passagens não podem operar com segurança sob fogo, pois abri-las nessas condições colocaria em risco a vida "de pessoas tanto do lado israelita, quanto do lado de Gaza".

"As passagens de fronteira serão reabertas assim que a situação de segurança permitir", indicou a agência israelita.

O COGAT insistiu que esta "medida temporária" não afetará a situação humanitária na Faixa de Gaza.

Segundo o comunicado, desde o início do cessar-fogo no enclave palestiniano, "dezenas de milhares de camiões carregados de ajuda humanitária" entraram em Gaza, em volumes equivalentes a "quatro vezes as necessidades nutricionais da população", informação que vem sendo contestada pela ONU.

Essas reservas, destacou a mesma fonte, devem durar "por algum tempo".

O órgão também negou que Israel esteja a bloquear arbitrariamente a entrada de ajuda humanitária em Gaza.

"Ao contrário das alegações originadas pelo Hamas e divulgadas por partes interessadas que tentam criar a imagem de uma situação catastrófica na Faixa de Gaza, Israel não está a bloquear arbitrariamente a ajuda a Gaza", referiu.

O COGAT acrescentou que continuará a manter contacto constante com a comunidade internacional e fornecerá atualizações sobre quaisquer novos desenvolvimentos.

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