Um quarto dos portugueses sofre de problemas reumáticos

Um quarto dos portugueses sofre de problemas reumáticos

 

Lusa / AO online   Nacional   11 de Out de 2007, 12:28

Mais de um quarto dos portugueses sofre de problemas reumáticos, sendo as mulheres geralmente mais afectadas do que os homens, segundo dados divulgados a propósito do Dia Internacional das Doenças Reumáticas, que se assinala sexta-feira.
    Esta estimativa da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas inclui, não apenas as pessoas que necessitam de ser seguidas pelo médico, mas também qualquer pessoa que tenha uma queixa do foro reumático, como uma dor articular, que obrigue a consultas médicas.

    Segundo o presidente da Liga, Jaime Branco, entre as doenças mais frequentes estão a osteoartrose, doenças de coluna, osteoporose, fibromialgia, artrite reumatóide ou tendinites.

    A Liga sublinha que muitas das actividades normais para a maioria das pessoas, como sair da cama, vestir-se ou usar o computador, são um "verdadeiro desafio" para os doentes reumáticos.

    Em Portugal, 2,7 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de queixas reumáticas, que atingem 1,7 milhões de mulheres e 970 mil homens.

    À semelhança do que se passa na globalidade dos países, são as mulheres as mais afectadas por problemas do foro reumático, embora as causas para a maior prevalência ainda não estejam totalmente esclarecidas, segundo disse à agência Lusa Jaime Branco.

    Factores de origem genética, hormonal e ambiental são as causas apontadas como prováveis.

    Os especialistas acreditam que as doenças reumáticas vão continuar, no futuro, a ser as mais frequentes, com tendência para aumentar, uma vez que a população não pára de crescer e de envelhecer. Estimativas recentes indicam que mais de 100 milhões de europeus sofrem de doença reumática.

    Numa tentativa de alertar para os problemas que enfrentam os doentes reumáticos no quotidiano, a Liga vai apelar aos seus sócios para que produzam vídeos domésticos retratando os obstáculos que encontram no dia-a-dia.

    No final do ano será feita uma montagem a nível nacional destes filmes e um documentário europeu com excertos de vários países.

    De acordo com um inquérito europeu realizado este ano a doentes reumáticos, 92 por cento destes pacientes têm dificuldade em subir escadas no trabalho, 75 por cento têm problemas em subir para comboios, para 78 por cento vestir-se é um desafio e 72 por cento têm dificuldades em abrir torneiras.

    O presidente da Liga lamenta que os doentes reumáticos sejam tratados em Portugal como "os parentes pobres das patologias", sublinhando a necessidade de maior respeito por estes doenças, quer ao nível das autoridades de saúde como ao nível da população em geral.

    "Ter um problema reumático ou reumatismo não é uma coisa da idade. Esta é uma ideia errada. Tem de haver mais respeito em relação a estas doenças", afirmou.

    Jaime Branco considera ainda que os novos medicamentos para as doenças reumáticas, que são "mais caros, mas também muito mais eficazes", não estão a chegar a todos os doentes que deles precisam.

    "Ainda há pouca prescrição destes novos fármacos", sintetizou.

    O acesso em Portugal a estes medicamentos, que se cingem a uso hospitalar, não é igual ao de outros países europeus.

    O presidente da Liga sugeriu que, sempre que as normas de prescrição são cumpridas, qualquer doente deveria poder levantar estes fármacos num hospital mesmo quando não é seguido nessa unidade.

    "Mas deveria haver um fundo para suportar estes custos, porque os hospitais já têm muitos encargos", adiantou.
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