Açoriano Oriental
UE solidária com povo bielorrusso e contra impunidade

A União Europeia está solidária com o povo da Bielorrússia e vai apoiá-lo, ao mesmo tempo que sancionará os responsáveis pela fraude nas eleições presidenciais e pela violência, pois “não aceita impunidade”, afirmou o presidente do Conselho Europeu.


Autor: Lusa/AO online

No final de uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da UE realizada por videoconferência, o presidente do Conselho, Charles Michel, disse em conferência de imprensa em Bruxelas que a mensagem “muito forte e unida” dos 27 para Minsk é “muito clara: a UE está solidária com o povo na Bielorrússia e não aceita a impunidade”, pelo que vai adotar “em breve” sanções contra “um número substancial de indivíduos responsáveis pela violência, repressão e fraude eleitoral”.

“Estas eleições não foram nem livres nem justas. Não reconhecemos os resultados apresentados pelas autoridades bielorrussas. O povo da Bielorrússia merece melhor”, declarou Charles Michel, que insistiu na necessidade de ser lançado um “diálogo nacional inclusivo” com vista a uma solução pacífica e democrática para a transição de poder.

Questionado sobre a sua conversa telefónica na terça-feira com o Presidente russo, Vladimir Putin, o presidente do Conselho Europeu indicou que lhe transmitiu “a convicção europeia de que é importante um diálogo nacional inclusivo” imune a “interferências externas negativas”.

Charles Michel comentou a propósito que o povo bielorrusso está a ir para as ruas por uma questão que é "acima de tudo nacional". "Os protestos não são sobre geopolítica", observou.

Por seu lado, a presidente da Comissão Europeia, que também participou na videoconferência de imprensa, sublinhou que a UE está “ao lado do povo da Bielorrússia” e adiantou que vai redirecionar fundos das autoridades para o povo, anunciando um apoio de 53 milhões de euros.

Ursula von der Leyen especificou que, deste pacote de ajuda ao povo da Bielorrússia, 2 milhões de euros destinam-se a “assistir as vítimas da repressão”, 1 milhão de euros servirão “para apoiar a sociedade civil e a imprensa independente”, e a principal ‘fatia’, de 50 milhões de euros, serão canalizados para “apoio de emergência no quadro da covid-19 para o setor da saúde, mas também para pequenas e médias empresas, grupos vulneráveis e serviços sociais”.

Defendendo igualmente a necessidade de uma “transição pacífica de poder na Bielorrússia”, Von der Leyen destacou também o “apoio unânime” dos 27 a sanções contra os responsáveis pela “violência inaceitável” com que as autoridades de Minsk responderam às manifestações pacíficas.

A presidente da Comissão Europeia também antecipou para breve a elaboração da lista dos responsáveis a serem sancionados, num processo que, insistiu, “não afetará o povo bielorrusso”.

A reunião de líderes dos 27 teve hoje lugar depois de os chefes de diplomacia da UE terem decidido, na sexta-feira, desencadear novas sanções contra os responsáveis pela repressão violenta das manifestações que contestam a recondução de Alexander Lukashenko e pela “falsificação” do ato eleitoral.

A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu o presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase 7.000 pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos três mortos.

A candidata da oposição à presidência, Svetlana Tikhanovskaya, refugiada na Lituânia, apelou hoje à UE para não reconhecer o resultado das eleições.

"Peço que não reconheçam estas eleições fraudulentas. Lukashenko perdeu toda a legitimidade aos olhos da nossa nação e do mundo", disse Tikhanovskaya em inglês num vídeo publicado no YouTube.


 
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