Turquia em guerra com curdistão iraquiano


 

Lusa/AOonline   Internacional   21 de Out de 2007, 17:31

O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatista) reivindicou hoje a captura de soldados turcos durante violentos combates durante uma ofensiva de tropas turcas contra o Curdistão iraquiano.

    "Na noite passada, tropas turcas tentaram infiltrar-se no Curdistão, na zona de Hakkari", declarou Abdel Rahman al-Chadirchi, responsável das Relações Exteriores do PKK em Erbil, no norte do Iraque.

    "Houve combates intensos e matámos um grande número de soldados. Fizemos alguns prisioneiros, que apresentaremos oportunamente", disse o responsável do PKK.

    Hakkari é uma região turca, perto da fronteira com o Iraque, mas o porta-voz do Partido dos Trabalhadores do Curdistão não especificou se os soldados turcos forem capturados em território turco ou no Iraque.

    O Estado-maior do exército turco informou, por seu turno, que 12 soldados turcos e 23 rebeldes foram mortos hoje numa emboscada contra uma patrulha militar e que os combates continuam perto da fronteira iraquiana.

    Fontes dos serviços de segurança turcos já tinham declarado, a partir da zona de conflito, que uma dezena de soldados estão dados como desaparecidos após uma emboscada do PKK perto da aldeia de Daglica, uma região montanhosa da província de Hakkari.

    Em Erbil, no Curdistão iraquiano, o presidente do Iraque, Jalal Talabani, considerou hoje ser impossível entregar a Ancara os chefes do PKK abrigados nas montanhas do norte do país, uma exigência das autoridades turcas.

    "Apesar da sua preponderância, o exército turco não consegue aniquilar ou prender esses homens. Como poderíamos detê-los e fazer entrega deles à Turquia?", questiona o chefe de Estado iraquiano.

    Massud Barzani, o presidente da região do Curdistão iraquiano que goza de uma larga autonomia face ao governo central, advertiu durante uma conferência de imprensa que os curdos iraquianos defenderão o seu território "contra qualquer ataque".

    Barzani sublinhou, contudo, que "se os turcos propuserem uma solução política aceitável que o PKK recuse, então consideraremos o PKK como uma organização terrorista".

    As baixas registadas hoje pelo exército turco são as piores de últimos tempos no sudeste do país, onde o PKK, considerado organização terrorista pela Turquia, pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos, desenvolve uma guerra separatista que já terá causado 37.000 mortos desde 1984.

    O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, face aos últimos desenvolvimentos, convocou para hoje em Ancara uma reunião de emergência, que será dirigida pelo presidente Abdullah Gul, de altos responsáveis civis e militares, para decidir como responder à ofensiva dos rebeldes curdos.

    Quinze soldados turcos foram mortos e 14 outros feridos hoje durante um ataque, no sudeste da Turquia, atribuído a militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que cruzaram a fronteira a partir do norte do Iraque.

    De acordo com a cadeia de televisão NTV, a confrontação registou-se na noite passada em Yuksekova, na província de Hakkari, que faz fronteira com o Iraque, onde uma brigada de infantaria turca foi atacada por um grupo de rebeldes do PKK.

    Dos 14 feridos militares, que foram transportados de helicóptero para hospitais próximos, três encontram-se em situação crítica.

    A agência oficiosa Anadolu informou que o PKK atacou os soldados com artilharia pesada e espingardas automáticas.

    Por seu turno, a agência curda Firat afirmou que o exército turco já começou a cruzar a fronteira com o Iraque a partir da localidade de Oremar, também na província de Hakkari, mas esta informação não foi ainda confirmada pelas autoridades de Ancara.

    A aviação turca já terá começado a sobrevoar a zona onde actuam os rebeldes curdos, de acordo com informações de alguns órgãos de imprensa turcos.

    O ataque de hoje ocorreu quatro dias após o parlamento turco ter autorizado incursões militares no norte do Iraque, onde os activistas do PKK se refugiam para lançar ataques furtivos contra a Turquia.

    O governo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, solicitou a cooperação de Bagdad e de Washington para impedir que os curdos utilizem o norte do Iraque como base de operações contra a Turquia.

    Erdogan estabeleceu a data de 05 de Novembro próximo, altura em que se encontrará com o presidente dos Estados Unidos, como data para decidir sobre uma operação transfronteiriça contra as bases curdas no Iraque, sublinhando que procurará obter "resultados concretos" dessa reunião com George W. Bush.

    "Nada esperamos do Iraque, mas aguardamos que os Estados Unidos façam algo", disse Erdogan em referência à sua próxima viagem.

    "Se nada conseguirmos dos Estados Unidos, seguiremos a nossa própria via", garantiu o primeiro-ministro turco, dando a entender que se não houver acordo com os norte-americanos a operação no Iraque poderá ser iniciada após a sua visita a Washington.

    Erdogan solicitou sexta-feira ao Iraque e à administração curda do Iraque que desmantelem as bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e extraditem os seus chefes para a Turquia.

    Por seu lado, o PKK afirmou que o exército turco já começou a operação transfronteiriça e entrou no norte do Iraque a partir da região de Oremar, em Yuksekova, onde na noite passada ocorreu o último incidente armado.

    Os rebeldes armados afirmam que "neste momento, há combates intensos em redor das localidades de Suke, Ertis, Shatunis, Sate e de Sutune" e que o exército turco está a bombardeá-las com artilharia.

    Analistas políticos opinam que estes ataques curdos com tantas vítimas militares forçarão Ancara a enviar tropas para o Iraque, contra a vontade dos Estados Unidos, que se opõem a estas incursões por considerarem que a região era até agora uma das poucas prósperas e seguras no país.

    O parlamento iraquiano condenou hoje a ameaça de uma incursão militar turca na região do Curdistão iraquiano para eliminar as bases rebeldes curdas, de acordo com fontes parlamentares.

    "O parlamento condena a ameaça da Turquia de recorrer à força para resolver o problema", indica o texto desta moção aprovada por 184 dos 275 deputados.

    Segundo as autoridades turcas, as bases dos rebeldes curdos no Iraque abrigam cerca de 3.500 combatentes que realizam incursões mortíferas no interior da Turquia.

    O PKK desencadeou em 1984 uma luta armada separatista na Turquia, que fez mais de 37.000 mortes até agora. Segundo Ancara, os rebeldes são apoiados pelos curdos iraquianos, que lhes fornecem armas e explosivos.

    Ancara afirma não ter outra opção que não seja intervir militarmente, uma vez que nem Washington nem Bagdad actuam contra o PKK, uma organização considerada terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia.

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