Suspeita de maus tratos em creche das Lajes das Flores

Denúncia contra duas funcionárias está a ser averiguada pelas entidades policiais e judiciais. Casa do Povo tomou medidas preventivas e afastou mulheres suspeitas. Presidente e secretário apresentaram a demissão



Duas funcionárias da creche Arco Íris, valência da Casa do Povo das Lajes das Flores, são suspeitas da prática de maus tratos em crianças, uma situação que se encontra a ser averiguada pelas entidades policiais e judiciais.

A notícia foi avançada em primeira mão pela RTP Açores, no Telejornal de domingo passado: segundo a televisão pública regional, as supostas agressões ocorreram em agosto, havendo registos de vídeo sobre as mesmas. A denúncia foi feita no início de setembro na esquadra da PSPde Santa Cruz das Flores, por parte uma funcionária da creche, que já não se encontra ao serviço. Segundo apurou o Açoriano Oriental, o seu contrato chegou ao fim.

Ainda segundo a RTP Açores, um dos pais revela que foram entregues ao Ministério Público cerca de 15 a 20 vídeos onde são visíveis as agressões físicas e verbais, incluindo uma das auxiliares a aplicar um “mata-leão” (golpe que consiste em prender o pescoço com o braço) ao seu filho de dois anos de idade.

Contactada pelo Açoriano Oriental, a Casa do Povo das Lajes das Flores reagiu através de um comunicado, assinado pelo tesoureiro Gustavo Alves, isto porque quer o presidente, quer o tesoureiro, apresentaram a sua demissão na sequência do caso.

A instituição assume que as suspeitas de maus tratos estão a ser “averiguadas pelas entidades policial e judicial” e que  as situações em apreço “circunstanciam-se a períodos de tempo muito curtos e com alegadas situações envolvendo duas funcionárias onde foram tomadas medidas preventivas à altura dos factos pelo presidente, devido a uma denúncia com um vídeo de telemóvel, terminando com o vínculo laboral de uma funcionária”.

A outra funcionária sobre quem recai as suspeitas foi afastada, após a Casa do Povo das Lajes das Flores ter obtido “novas informações”, no dia 18 de setembro.

O comunicado assinala que a condução do processo “não seguiu alguns trâmites exigíveis pela sua complexidade”, o que levou a que o presidente assumisse a responsabilidade e se demitisse do cargo, seguido, “solidariamente”, pelo tesoureiro.

Gustavo Alves sublinha que as atuais e antigas funcionárias da instituição “são e foram de um esforço de trabalho tremendo e de uma entrega e capacidade reconhecidas pela maioria das famílias que utilizaram ou utilizam esta valência essencial para o concelho”, acrescentando que “não podem estar sob suspeita generalizada de atos que não são, de todo, prática da casa e que têm de ser averiguados antes de se fazer um julgamento sumário”.

O tesoureiro finaliza afirmando que a instituição quer trabalhar no “apuramento da verdade”e da melhoria das condições para as crianças da creche e para “restabelecer a confiança dos pais com a instituição”.

Segundo apurou o Açoriano Oriental, a creche encontra-se sem educadora nos últimos meses. O concurso para a contratação de uma profissional ficou deserto, devendo um novo ser aberto, previsivelmente quando forem realizadas eleições para os corpos sociais da Casa do Povo da Lajes das Flores, ainda sem data marcada.

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