Qual é a situação da valência de creche da Casa do Povo do Pico da Pedra (CPPP), neste momento?
A creche da CPPP, quando foi inaugurada há 18 anos, na altura, cometeu-se um erro, que foi fazer uma valência com capacidade para 35 crianças. Ora, o futuro seguinte veio demonstrar que isso iria dar prejuízo, porque o quadro de pessoal para 35 crianças é o mesmo para 46. E portanto há um prejuízo anual que ronda os 50 mil euros.
Isto é um processo que se arrasta: nos primeiros tempos, era resolvido com subsídio eventual; depois quando houve o valor-padrão, acabou por não se conseguir concretizar e a CPPP teve de, muitas vezes, avançar das suas fracas reservas financeiras - que são reduzidas, pois nós não temos património, quer rústico, quer imobiliário, que nos dê receitas , dependemos dos sócios, de eventos que promovemos e de alguns donativos. Fomos equilibrando, mas chegou a uma altura que foi de rotura.
E que soluções há?
A solução passa pela construção de uma nova creche, mas precisamos de ter sustentabilidade na atual, com um processo de ampliação que está já elaborado e que é barato, que permite acrescentar mais 11 vaga às atuais. Posso-lhe dizer que implica, unicamente, a instalação de quatro sanitas, além da admissão de mais um ou dois funcionários. Mas com as 46 crianças na creche, a parte económica estaria resolvida e não teríamos esta “dor de cabeça” em termos de défice anual.
Todavia, o Pico da Pedra tem crescido imenso: há uns anos a freguesia tinha 800 pessoas, neste momento somos mais de 3 mil. Além de abrangermos todas as freguesias circundantes, que também se inscrevem aqui, pois temos uma boa reputação de serviço.
Isso faz com que tenhamos uma procura muito grande todos os anos. Neste momento, é impossível dizermos qual é a nossa lista de espera. Porque em maio, quando fazemos as seleções - elaboradas pela direção da CPPP e por uma equipa do Instituto deSegurançasocial dos Açores (ISSA), baseado nos critérios de admissão existentes no regulamento - comunicamos aos pais das crianças que não foram selecionadas e estes encarregados de educação procuram outra solução, seja outra creche, uma ama ou familiares.
Além disso, antigamente e de acordo com os regulamentos reservávamos lugares para bebés que pudessem frequentar a instituição em janeiro. Ora, isso agora está praticamente congelado: nós só podemos admitir crianças até dezembro. É certo que antes a instituição ficava com um lugar cativo e sem receber de setembro a janeiro, mas isso era um problema da instituição. Agora, a solução encontrada é muito gravosa para os pais, pois não os colocando em janeiro, só podem colocá-lo em setembro, ficando com um problema durante nove meses.
É doloroso estas seleções em maio: vejo muitos casais à minha frente a chorar. A minha geração foi, de certa forma, felizarda, pois os meus pais e os meus sogros não trabalhavam e tínhamos sempre aquele “pneu de socorro”. Esta geração não tem essa solução.
E quais são os desenvolvimentos, tanto no caso da nova creche, como no da ampliação da atual valência?
Quanto a construir uma nova creche: conseguimos que uma pessoa nos doasse o terreno, que confina com a CPPP a norte, para construirmos a infraestrutura. Quando vamos falar com o Governo, não pedimos tudo: inclusivamente, já temos um estudo para a nova creche (que até iria beneficiar todo o trânsito rodoviário da Rua Primeiro Barão da Fonte Bela, pois o terreno doado tem uma canada que vai até à rua Capitão Manuel Cordeiro) e apresentamos ao Governo dos Açores duas soluções: um modular, que esteticamente não gosto muito, mas podia construir-se em seis meses; e um esboço de construção tradicional, que levaria mais tempo a construir.
Ainda aguardamos resposta, enviamos os dois, pois no caso de haver dinheiro este ano, avançar-se-ia com o modular; se fosse a médio prazo, escolhia-se outra solução.
Para a ampliação da atual creche, no edifício central, basta apenas adaptar o existente, com mais quatro sanitas. Mas ainda não nos resolveram este problema que já foi diagnosticado. A senhora secretária regional da Saúde e Segurança Social veio cá em maio e deu prioridade; dois dias depois a veio uma equipa do ISSA diagnosticar a situação e apresentaram-nos a proposta, que nós concordamos.
Qual era a solução, neste caso?
O ISSA explicou-nos que tínhamos a hipótese de transformar uma das salas dormitório em sala de atividades, e quando fosse para dormir, colocavam-se os catres, que seriam retirados quando as crianças fossem lançar. Era mais trabalhoso para os funcionários, mas resolvia-se.
Mas só por causa da autorização para a instalação de quatro sanitas, ainda não se avançou com o processo.
Estamos paralisados porque não há resposta: todos dizem que o diagnóstico está feito, estão de acordo com ele e com a solução, mas não se avança.
Esta autorização para a instalação das quatro sanitas depende de quem?
Da Direção Regional de Segurança Social. A senhora diretora manda-nos um pedido que dá vontade de rir: consultas como se fosse para uma obra de grande monta. Algo mirabolante. Eu oficiei de volta, perguntando como vou contactar três gabinetes de arquitetura para me porem quatro sanitas numas instalações sanitárias que já existem? É de loucos. Depois, concursos, abertura das propostas, mais aquilo...Eu só quero que me peçam orçamento a três empreiteiros para fazer esta obra.
Toda aquela burocracia...desculpe, mas dá-me a impressão que estão a empurrar o problema com a barriga. Nós, que somos voluntários, sentimo-nos desanimados, frustrados.
A CPPP não tem dinheiro, porque se tivesse, já tínhamos colocado as quatro sanitas.
