O crescente consumo de vapes e tabaco aquecido está a provocar alterações nos hábitos dos fumadores açorianos, existindo mesmo um “retrocesso” em alguns aspetos.
Esta realidade é adiantada por Susana Barbeitos, coordenadora da Consulta de Apoio Intensivo à Cessação Tabágica (CAICT) da Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel (USISM), que deu como exemplo o facto de haver pessoas que “estão a voltar a fumar dentro de casa”, uma tendência que tinha vindo a diminuir.
A coordenadora indica igualmente que existe, por parte da população, uma “desvalorização” dos perigos inerentes ao consumo destes novos produtos.
Segundo a mesma, pelo facto de não haver “nem combustão, nem libertação de cheiro”, as pessoas acabam por “não ter em conta aquilo que estão a assimilar para o seu organismo”, o que acaba também por originar casos em que as crianças são sujeitas ao consumo passivo destes produtos.
“O que deixamos muito patente nas consultas e que reforçamos sempre é que a legislação é clara sobre qualquer tipo de consumo, independentemente de ser tabaco convencional, tabaco aquecido ou o próprio vape: nenhum é permitido para consumo em espaços fechados”.
Tabaco aquecido menos prejudicial: mito ou verdade?
Atualmente, existe muito a ideia de que os cigarros aquecidos são menos prejudiciais à saúde quando comparados com os cigarros tradicionais, algo que Susana Barbeitos indica como sendo uma perceção “totalmente enganosa”.
“Os estudos já vão comprovando que o tabaco aquecido provoca igual prejuízo à saúde”, afirma.
“A realidade é que o poder do marketing da indústria tabaqueira é grande. Se um produto é menos prejudicial para a saúde, causando a mesma sensação de prazer, claro que as pessoas vão procurá-lo, tentando agarrar-se a esta ideia que o marketing apregoa”, complementa.
Consulta de Apoio Intensivo à Cessação Tabágica
De forma a tentar combater a tendência do consumo de tabaco na região, que ainda apresenta uma “prevalência muito acrescida”, a CAICT disponibiliza aos utentes uma “equipa multidisciplinar”, composta por “um médico, um enfermeiro e um psicólogo”, havendo também a possibilidade, em alguns casos, de existir acompanhamento por parte de um nutricionista.
Neste momento, a USISM disponibiliza a CAICT “nos seis centros de saúde da ilha”, sendo que a consulta se encontra disponível em toda a região, havendo, no entanto, ilhas em que, “por ausência de recursos humanos, não contam com as equipas em pleno funcionamento”.
Susana Barbeitos deixa ainda claro que a CAICT “não é dirigida a todos os utentes que querem deixar de fumar”, estando destinada especialmente a casos em há uma maior dificuldade em “avançar no processo”.
“Nem todos os utentes precisam de apoio intensivo, havendo até mesmo pessoas que cessam o consumo por sua iniciativa própria”, destaca.
No caso em que um utente é referenciado a realizar a CAICT por um determinado profissional de saúde, é realizada uma “consulta de admissão”, havendo posterior consulta junto de um médico e de um psicólogo.
“Depois vai depender do ritmo do utente, daquilo que é o avanço que vai ter no processo. A CAICT é muito individualizada, havendo estratégias que são delineadas face ao comportamento da pessoa”, explica.
