Betão e pagamentos voltam a ser alvo de escrutínio na Operação Nortada

Após a pausa jurídica, a Operação Nortada voltou a julgamento no Tribunal de Ponta Delgada. Betão e pagamentos foram falados 



O betão da Câmara Municipal da Ribeira Grande fornecido à casa de Hernâni Costa e pagamentos feitos por pessoas/entidades que não estavam envolvidas nos eventos foram ontem alvo de escrutínio no Tribunal de Ponta Delgada.

Durante a manhã, o presidente da Junta de Freguesia da Matriz - Ribeira Grande e funcionário da Câmara Municipal local, André Mendonça, foi ouvido pelo coletivo de juízes da Operação Nortada.

Recorde-se que um dos casos da Operação Nortada é a alegada cedência irregular de 32 m2 de betão da Câmara Municipal da Ribeira Grande para utilização na habitação própria do antigo presidente da Junta de Freguesia da Matriz - Ribeira Grande, Hernâni Costa.

Em 2018, André Mendonça trabalhava num armazém da autarquia. Questionado quem fazia os pedidos da entrega de material, André Mendonça refere que, normalmente, seria o chefe das obras, e às vezes o antigo presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio.

Após várias questões, André Mendonça afirma que o antigo autarca da Ribeira Grande lhe pediu para transmitir o vale provisório para dar o betão à casa das obras de Hernâni Costa.

A testemunha salienta que sabia que o betão em causa seria para casa de Hernâni Costa, mas refere que nunca tinha falado com Hernâni Costa, nem vice-versa, sobre a cedência de betão.

Recorde-se que, na altura dos factos, Hernâni Costa era o presidente da Junta de Freguesia da Matriz - Ribeira Grande, e André Mendonça era o secretariado-geral da Junta.

Os pagamentos realizados voltaram a ser alvo de escrutínio no Tribunal de Ponta Delgada. Um cantador foi ouvido relativamente a um pagamento da participação num evento no Porto Formoso.

Segundo a testemunha, haveria um cachê de 600 euros, 100 euros para cada participante. O cantador refere que pensava que seria a Junta de Freguesia a pagar, mas tinham-lhe dito que a autarquia tinha oferecido o pagamento do espetáculo.

A testemunha refere que chegou a pagar “do seu bolso” aos colegas, enquanto ainda não tinha recebido o pagamento. O cantador acabou por receber o pagamento através de uma pessoa responsável de uma escola da Ribeira Grande.

Há um DJ/produtor de eventos que também atuou num evento do Porto Formoso, este realizado por uma associação de jovens. Com um cachê de 300 euros, o DJ acabou por receber dinheiro mais tarde. 

Antes de receber o pagamento, a testemunha refere que chegou a falar com Alexandre Gaudêncio, devido à situação financeira. O DJ acabou por receber o dinheiro. Na Polícia Judiciária (PJ), a testemunha descobriu que os 300 euros foram recebidos por Jacinto Franco - uma pessoa que não estava envolvida no evento.

Foi igualmente falado o “recheio” dos pavilhões da Lomba da Maia, dos Fenais da Ajuda e do Porto Formoso.

O julgamento prosseguiu durante a tarde de ontem.

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