Subsídios agrícolas geram polémica

Subsídios agrícolas geram polémica

 

Rui Leite Melo/Francisco Cunha   Regional   15 de Out de 2009, 21:54

Agricultores da zona de Candelária, Ginetes e Feteiras, cujas colheitas de milho foram danificadas pelas secas no Verão, estão descontentes com a atribuição de subsídios para as perdas, apenas tendo direito a ajuda se comprarem o milho na Associação Agrícola de São Miguel.

 

Outro motivo de protesto é o facto dos subsídios governamentais apenas serem aplicáveis ao transporte de milho, não abrangendo a compra do cereal em si.

Como tal, um lavrador que tenha comprado o milho a outro produtor que não à Associação Agrícola não tem direito a apoios da Secretária Regional da Agricultura, nem para compensar o stock perdido na seca, nem no transporte deste.

Um dos agricultores contactado pelo AO refere mesmo ter recebido vários telefonemas da Associação para persuadir a comprar o milho àquela entidade e fala mesmo em "monopólio de subsídios".

O milho vendido pela Associação Agrícola tem o preço estabelecido por esta, sendo pago o seu valor na integralidade pelos produtores, que recebem apenas apoio para o transporte.

O descontentamento dos lavradores prende-se com o facto de ter havido "algumas zonas em São Miguel com excelentes produções de milho, como o Pico da Pedra" e estarem impossibilitados de receberem apoios para o comprarem directamente àqueles produtores

Os descontentes questionam mesmo a necessidade de importar milho de fora quando o há mais barato já na ilha, além de estar disponível de imediato.

Alguns lavradores mostram grande descontentamento pois tiveram prejuízo a dobrar: no stock perdido e ainda na compra do stock novo, que não foi comparticipado. Houve quem tivesse que trocar animais por comida, sofrendo prejuízo, dizem.

Contactado pelo Açoriano Oriental, o presidente da Associação de Jovens Lavradores, Virgílio Oliveira, confirma que "há pessoas insatisfeitas com os apoios". Reportando-se quanto aos danos causados pela seca, Oliveira refere que "a calamidade afectou cerca de 50 produtores"

Na opinião do dirigente associativo, "o apoio do Governo deveria ser financeiro, e possibilitar ao lavrador comprar onde ele quisesse e ao melhor preço, e deveria aprovisionar as comidas onde entende". Defende também que deveria haver uma espécie de "seguro de colheita", que assegurasse os danos em caso de calamidade, pois este tipo de eventualidades é imprevisível.

Quanto à compra do milho local, Virgílio Oliveira diz que "nessas áreas houve muita produção de milho e seria mais barato comprarem milho cá", e vai mais longe afirmando que "pode ser mais caro adquirir fora da região com apoios do que na região sem eles".

O secretário regional da Agricultura, Noé Rodrigues, não comentou o assunto, mas o seu assessor de imprensa confirmou que há conhecimento do assunto e que o titular da pasta da Agricultura iria reunir com a Direcção da Associação Agrícola para analisar o assunto".

Por sua vez, Jorge Rita, presidente da direcção da Associação Agrícola de São Miguel, esclareceu que "foi proposta da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, que somente uma organização importaria os alimentos e teria direito aos apoios de transporte, como foi feito nas ilhas de Santa Maria e Graciosa".

Afirmou ainda que foram feitos levantamentos pela Associação Agrícola de São Miguel, já em Junho, e pelos serviços oficiais, para calcular o que cada agricultor tinha direito, referindo que "quem precisa já tem os alimentos disponíveis".

Quanto à questão de só se receber apoios pela Associação, Jorge Rita responde que "não faz sentido numa operação destas existirem vários intervenientes a fazerem a mesma operação porque iria duplicar os custos". Salienta ainda que "dos lavradores contactados, todos eles concordaram em comprar à Associação Agrícola". O fornecimento a preços mais baixos foi, de acordo com Jorge Rita, a intenção do acordo entre a Associação Agrícola e o Governo Regional. "Esta operação demorou tempo a montar "não foi uma operação nem de 500 nem de 1000 toneladas, estamos a falar de uma operação de 4000 toneladas".

A Secretaria Regional da Agricultura e Florestas paga o transporte de Lisboa, porque, de acordo com Jorge Rita, "este é mais caro do que a compra do alimento em si".

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