“Nós denunciamos o desastre destas colocações, as piores desde 2014”, afirmou o coordenador do sindicato, Francisco Oliveira, defendendo que nenhum professor deve ficar desempregado ou enfrentar uma situação laboral pior da que teve no ano letivo anterior.
O sindicalista falava em conferência de imprensa, no Funchal, na qual abordou vários problemas relacionados com o arranque do novo ano letivo na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente o processo de colocação de professores.
“No ano passado foram contratados mais de 400 professores, este ano apenas 216”, disse, avisando que, entretanto, saíram mais de 200 docentes do sistema: 150 por aposentação e 57 por colocação no continente.
Francisco Oliveira considera ser agora necessário contratar pelo menos 500 professores.
“É um drama sério para o futuro da educação [a falta de docentes] e põe em causa a sustentabilidade no futuro sistema educativo regional, porque sem professores, sem educadores, não há educação”, alertou.
Por outro lado, disse não haver diminuição do número de alunos para justificar a redução das contratações.
“De madeira nenhuma”, afirmou, explicando que, atualmente, o “argumento demográfico” não tem fundamento tendo em conta o número de estrangeiros e lusodescendentes que residem na Madeira, sobretudo oriundos da Venezuela.
“Há mais alunos nas escolas”, observou, reforçando: “Conhecemos escolas que tiveram inclusivamente de fazer obras para abrir mais salas, porque o número de alunos está a aumentar a um ritmo muito elevado.”
O ano letivo 2026/2027 na Região Autónoma da Madeira arranca na quinta-feira, 10 de setembro, para o 1.º ciclo do ensino básico, e entre os dias 11 e 14 de setembro para os 2.º e 3.º ciclos do ensino básico (desde o 5.º ao 9.º ano) e para o ensino secundário (do 10.º ao 12.º ano).
Já as atividades com crianças nas creches, jardins-de-infância, infantários e unidades de educação pré-escolar começaram hoje.
A Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia ainda não divulgou dados referentes ao novo ano letivo, nomeadamente sobre o número total de professores, de alunos e de escolas, mas a Direção de Administração Educativa já indicou que foram contratados 216 docentes, afetados a 62 estabelecimentos.
Na quarta-feira, o Sindicato dos Professores da Madeira promove uma manifestação em frente à Secretaria Regional, no Funchal, designada “Tribuna Pública da Indignação de Professores e de Educadores”.
Francisco Oliveira explicou que o objetivo é dar voz a centenas de docentes que estão “muito revoltados” com o processo de colocação.
